Questão de opinião

Cada pessoa tem sua opinião sobre as várias questões da vida, com base em seus valores, crenças, conhecimentos e, muitas vezes, influenciadas pelas circunstâncias que as cercam. Assim já concluiu Rémy de Gourmont, dramaturgo e romancista francês (1858-1915): “Os homens agarram-se mais às suas próprias opiniões que à vida. Está aí a coisa que não compreendo, tanto mais que essas opiniões lhes não pertencem, por não serem eles nem seus criadores nem seus amos. Compram-nas, alugam-nas, herdam-nas, e um acaso qualquer pode, sem dúvida, arrebatá-las.” Corrobora com esse pensamento a análise do tema, à luz da psicologia moderna, citada pelo professor Daniel Contijo: “a opinião não é apenas um simples reflexo lógico da realidade, mas um fenômeno complexo moldado por emoções, necessidades de pertencimento e pela estrutura do próprio pensamento.” Portanto, é válido que as opiniões sejam pessoais e validadas pela ótica de cada um.

No entanto, e por esta mesma razão, opiniões podem ser diametralmente divergentes. E é aí que reside, entre outras questões, o desafio de se viver socialmente.  William Cowper, poeta inglês (1618-1667), já afirmou que “As opiniões divergentes só servem para demonstrar que a verdade está- ah!, se soubéssemos onde! – em algum lugar.”

Opiniões mudam e assim acreditam, alguns, que deveria ser: “O homem que nunca muda de opinião é como as águas estagnadas, e gera répteis mentais.”, argumenta o poeta e artista inglês, William Blake (1757-1827). Compartilha dessa opinião, mesmo que com ressalvas, o romancista e senador francês, Victor Hugo (1802-1885), quando adverte: “Mude suas opiniões, mantenha seus princípios. Troque suas folhas, mantenha suas raízes.”

Atitude contrária é mostrada na composição de Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Zé Keti, intitulada “Opinião”, quando diz: “Podem me prender, podem me bater/Podem até deixar-me sem comer/Que eu não mudo de opinião…”

Entretanto, “Há, neste mundo, uma opinião mais forte que a do homem de maior talento: a opinião do público”, afirmou Anne Louise Germaine Necker, escritora francesa (1766-1817). Reforça o conceito a frase atribuída ao estadista francês, Napoleão Bonaparte (1769-1821): “Nada resiste a essa força misteriosa que se chama opinião pública.” E olhem que nem havia redes sociais naqueles tempos!

Uma vez que a opinião pública refere-se à expressão da participação popular na criação, controle, execução e crítica das diretrizes de uma sociedade e influenciada por diversos fatores, como a mídia, a educação e as experiências individuais pode, hoje, também ser formada com base nas afamadas “fake News”, gerando conceitos distorcidos e temerários.

Nos versos da poetisa Cecília Meireles (1901-1964), um certo descaso para com a opinião pública: “Que faremos destes jornais, com telegramas, notícias, anúncios, fotografias, opiniões…? / Caem as folhas secas sobre os longos relatos de guerra: e o sol empalidece suas letras infinitas. / Que faremos destes jornais, longe do mundo e dos homens? / Este recado de loucura perde o sentido entre a terra e o céu.”

Encerro com o pensamento do filósofo e ensaísta francês, Michel de Montaigne (1533-1592: “Nunca houve no mundo duas opiniões inteiramente conformes, assim como não há dois pelos nem dois grãos. A qualidade mais universal é a diversidade.”

Enfim, é tudo uma questão de opinião!

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Ana Lúcia Finazzi
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