Espanha: a última a ser escolhida

Por Mariana Mendes De Luca
@marianamdeluca

Se eu perguntasse hoje qual vinho comprar, muita gente responderia: um argentino, um italiano ou até um chileno. Poucos sugeririam um espanhol. Mas nos últimos dias, a Espanha voltou aos holofotes por um motivo que dispensa apresentações. E, para quem gosta de vinho, ela nunca deveria ter saído deles.

Eu diria que os espanhóis nunca fazem questão de nos impressionar na primeira taça, eles nos conquistam é na segunda. Isso porque eles são pacientes e produzem vinhos para vender anos depois, tornando a pergunta: de qual safra é esse vinho? uma das mais importantes na decisão de comprar uma garrafa.

Para eles, o exagero não impressiona, potência não é sobrenome de um rótulo espanhol, e madeira nunca será usada para esconder os defeitos do vinho.

O país que possui a maior área de vinhedos do mundo, tem hoje 950 mil hectares de uvas plantadas. E a prova de que eles não fazem questão de impressionar, é que ainda assim, não são os maiores produtores, perdendo para a vizinha França, líder no ranking, e para a Itália.

A explicação disso está no clima: menos água, menos uva. A Espanha nunca fez questão de quantidade. Enquanto alguns países colhem mais uvas por hectares, eles aceitam produzir menos e entregar mais autenticidade.

Reúne séculos de tradição distribuídos em várias regiões fascinantes. Rioja é a mais conhecida, e para muitos, é a porta de entrada para os vinhos espanhóis. São vinhos tintos elegantes cuja uva principal é a Tempranillo, a mais tradicional do País. Hoje, cerca de 200 mil hectares são dedicados a ela, que vem da palavra espanhola ‘temprano’ (cedo em português), porque ela amadurece antes do que outras tintas.

As margens do rio Douro, temos a região de Ribeira del Duero, também dominada pela Tempranillo, que produz grandes clássicos espanhóis mais intensos e estruturados.

E entre outras importantes regiões, temos a Jerez, no sul da Espanha, uma das mais fascinantes do mundo do vinho. Entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo, foi dela que surgiu o nome Sherry, pois quando os comerciantes britânicos importavam esse vinho, tinham dificuldade em pronunciar o nome. Por conta disso, hoje, para os ingleses, Jerez (se pronuncia Rerréz) se chama Sherry (se pronuncia Shéri).

Ali, o vinho quase não depende da uva. Parece estranho, mas o espetáculo começa depois da colheita. Barricas, leveduras e décadas de paciência transformam um vinho simples em um ícone espanhol. O protagonismo não vem da fruta, e sim de como o vinho envelhece.

Conhecer a Espanha é perceber que ela não produz um estilo de vinho. Ela respeita a região onde cada um deles nasce. Vinho espanhol é elegância! Um equilíbrio entre a fruta e o tempo, nunca buscando ser o mais potente da mesa. E de fato, nunca é!

E foi assim, se desenvolvendo com o passar das décadas, avessa as extravagâncias e atenta ao que se deve fazer para ser o melhor, que a Espanha chegou aonde muitos sonham em chegar: ao topo do mundo. No futebol, por 90 minutos. No vinho, em uma taça de cada vez.

Um brinde com um bom vinho da campeã do mundo e até a Próxima Taça.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here