Acho chique descobrir qual a uva do vinho sem ler o rótulo, acho chique quem abre uma garrafa só porque deu vontade, acho chique quem sabe a taça certa para cada estilo de vinho, acho chique quem sempre tem uma garrafa guardada para uma ocasião especial.
E se você não está entendendo, “Acho chique” é a nova trend que viralizou nas redes sociais e fez com que nos últimos dias muitas pessoas mencionassem em seus perfis, como uma brincadeira, hábitos que elas acham chique.
Em um tempo em que o “chique” caminha lado a lado com o gosto duvidoso, a tendência das redes sociais resgata ideias que nunca deixaram de ser elegantes. E no universo do vinho, o chique traz uma opinião quase unânime: acho chique quem entende de vinhos.
A questão aqui é que, conforme sugere a trend, chique é algo que você gosta, mas ainda sente ser um pouco distante do seu dia a dia. Mas convenhamos que, se falarmos de vinho em um país que acaba de bater recorde em consumo desse produto que movimentou R$ 9,8 bilhões no primeiro semestre do ano, distante é algo que deixou de estar há algum tempo.
Mas então, por que ainda temos um afastamento do vinho, mesmo o tendo cada vez mais presente em nosso dia a dia?
A performance da riqueza talvez seja um caminho para entendermos as dificuldades que o vinho encontra no mercado brasileiro.
Todo mundo conhece alguém que prefere tomar um vinho de descaminho só porque o rótulo se vende pelo preço e não pelo conteúdo – porque convenhamos, existem rótulos muito melhores do que esses argentinos que seu colega toma toda semana. E assim acontece também nas redes sociais, onde é cada vez mais comum vermos pessoas ostentando rótulos icônicos sendo apreciados sem o mínimo de contexto. Fazendo com que a garrafa deixe de ser importante pelo vinho e sim por uma hierarquia social.
Ora, sejamos honestos, todos temos curiosidade em provar vinhos aclamados pela crítica da viticultura, mas somar milhares de reais em vários rótulos provados em uma sequência descabida, não é chique, é ostentação!
E quando o vinho deixa de ser uma experiência e passa a funcionar como prova de poder aquisitivo, aquele conteúdo só terá valor se tiver custado caro, mas como nem sempre o mais caro é o melhor, você corre o risco de pagar caro por algo que talvez não seja tão bom ou que não esteja na hora de tomar, tudo pela ostentação.
O luxo faz e sempre fez parte do mundo do vinho, mas ele é diferente de ostentação. Luxo pode estar relacionado à qualidade, à raridade e à experiência. Ostentação depende do olhar alheio, ela não se satisfaz se não for vista e reconhecida. Então as redes sociais se tornam um prato cheio para quem toma vinho pelo rótulo, e um lugar onde o vinho não é protagonista por sua história e sim pelo seu custo, não é chique.
Chique é saber que o vinho não precisa de ostentação, ele precisa de entendimento. Ter o entendimento de que os vinhos têm o tempo certo para serem provados e que alguns precisam decantar, além de estarem na temperatura ideal, podem mudar sua relação com o vinho.
Entender que existe vinho bom no mercado do seu bairro e vinhos superestimados em lojas especializadas, também fazem a diferença. Além do bom (e necessário) conhecimento de que copo de vidro é para cerveja, porque para o vinho, é taça!
Por isso acho chique quem simplesmente gosta de vinho. Não pelo rótulo, pelo restaurante ou pelo preço, mas sim, pelo vinho! Porque chique mesmo, é brindar com seu vinho favorito, sem se preocupar com a opinião dos outros.
Um brinde bem chique e até a Próxima Taça.

Mariana Mendes De Luca
@marianamdeluca



