Trem e Política

Completado recentemente, em 30 de abril desse ano, 168 anos de história da Ferrovia no Brasil não é difícil imaginar o quanto isso tem significância ao desenvolvimento do País. Em meio a frustrações, conquistas e muito trabalho, as ferrovias no Brasil foram, são e serão ainda o braço motor do desenvolvimento.

Vivenciamos diversas empreitadas para implantação de ferrovias importante, muitas, do passado, se mantem de forma restrita de uso e com ramais específicos principalmente minério. Mas a história foi muito mais grandiosa do que o atual patrimônio que temos. De uns anos pra cá vem retornando investimentos, quase que uma volta ao tempo com parcerias internacionais como noticiava o The New York Herald numa quinta-feira, 3 de janeiro de 1878: “De partida para o Brasil”: A primeira expedição mandada dos Estados Unidos equipada com dinheiro, material e conhecimentos americanos para executar uma obra pública em país estrangeiro, uma obra com 210 estrangeiros entre engenheiros e técnicos capacitados e muitas toneladas de material que envolveu milhares de trabalhadores, muitas mortes por malária e outras arboviroses, mudanças de concessões para hoje, ser algumas peças de museu e trechos que representam um passado presente da linha férrea mais lendária do Brasil, a estrada de ferro Madeira- Mamoré na Amazonia legal.

Poderíamos ser como um trem: forte, andar na linha, ter um destino determinado, carregar uma bagagem e deixar uma saudade.

Aproveito a data para fazer uma analogia ao trem que poderia ser aplicada a nação, espelhando força na civilização e altruísmo na política para andarmos nos trilhos da civilidade de cada um, levando a destinos coerentes e certos. Não precisamos de ideias políticas novas. Precisamos permanecer no trilho sem tumultos e impedimentos. Ninguém é mais forte do que o caminho natural do desenvolvimento de um povo, de uma nação… precisamos apenas continuar, seguir o caminho como um trem, sem sair dos trilhos, um projeto contínuo. Só precisamos carregar melhor nossa bagagem para que continue firme, estruturar o caminho da nação, acreditando nas gestões das instituições, dos órgãos regulatórios, derrubar um pouco a descrença e o pessimismo, enxergar mais longe do que o próprio umbigo. Não precisamos de novos rumos, novas ideias, apenas conduzir bem o trem Brasil nas suas características, não devemos depositar esperança em “heróis de lados” e suas políticas e sim, do próprio trem que carrega todos nós e nossa história como nação e costumes de uma pátria que já tem nome, sobrenome e posição como quinto maior do mundo.

Existe muito interesse particular em todas as pessoas, mas, não deveria estar presente na política que cuida do erário público. O maquinista desse trem é mais um funcionário, importante é claro, mas é igual a mim, a você, temos que trabalhar e nossas conquistas não precisam de palco e cerimônia apenas manter o trabalho andando, uma continuidade, se um sai outro continua (como nas estações) …diminuir festas, palanques, discursos populistas, pirotecnia atrasando o trem para escutar candidatos a herói que vão mudar o Brasil. O que tem que se fazer é a condução do país e não a reinvenção, deixar tudo bem distribuído internamente, bem abastecido para todos e que em todas as paradas sejam uma só nação, sem distinção. Somos o trem Brasil, ao meu ver, atrasado perto de onde poderia estar se o histórico de maquinistas e toda sua política fossem mais servidores público do que pessoais.

Toquemos o trem Brasil sem polarização com todos juntos dentro, forte, com destino certeiro, andando nos trilhos, carregando história e deixando saudades com amor a bandeira. Ninguém é melhor que ninguém, a caminhada é o que importa, o terreno mais fértil do planeta é o nosso.

Plínio Bruno Aiub é médico veterinário especialista em animais silvestres

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