Agora, no outono, estive adentrando novamente na Serra da Cantareira, maior floresta urbana nativa do mundo. O Parque Estadual da Cantareira abriga cerca de 8 mil hectares de pura Mata Atlântica, podendo ser encontrados indivíduos arbóreos primitivos e epífitas endêmicas, fato raríssimo em se tratando de Mata Atlântica que, é um dos maiores hotspots mundiais.
As florestas urbanas prestam vários serviços ambientais, conferindo as cidades uma qualidade de vida bem melhor. Abrigam nascentes e riachos que são reservatórios, estabelecem um resfriamento do clima local, aumentam a disponibilidade de troca de gases e funcionam como áreas de refúgio para polinizadores, decompositores, fauna, flora e funga.
Os fatores ambientais que as áreas de refúgios proporcionam é bem estudada pelos pesquisadores que, cada vez mais, descobrem espécies e benefícios novos. Mas um fator que vem sendo levado muito em consideração são os benefícios para saúde mental que áreas naturais proporcionam aos munícipes. Fatores como: auto estima, pertencimento, alívio do estresse e ansiedade são sentidos com, apenas, vinte minutos na natureza, apontam os estudos!
Nossas florestas urbanas são preciosidades permeadas nas cidades e podem ser muito bem aproveitadas quando a gestão municipal se debruça com vontade no tema para trazer equilíbrio socioambiental e opção para os habitantes.
Temos dificuldades de entender a natureza quando estamos diante do concreto e do asfalto. O tempo que nos sobra, na maioria das vezes, queremos saber dos shows, das festas, da resenha (como dizem hoje) e isso reforça a visão do consumo e recompensa rápida. Ao olharmos de perto a natureza, damos conta que estamos acelerados, movidos pela roda do consumo e do prazer e o quanto isso tem nos adoecido. Poderíamos explorar mais nossas áreas verdes.
Aqui em São João da Boa Vista, por exemplo, o Bosque “Gavino Quessa” (6 hectares), está totalmente inútil sob o ponto de vista de educação ambiental, de gestão de fauna, flora e funga. Temos rica biodiversidade no bosque, incluindo dezenas de espécies da mastofauna, herpetofauna e avifauna, sem contar a entomologia e os recursos hídricos local, e isso nunca foi explorado, mesmo estando em área nobre do município e funcionar como corredor do fluxo gênico.
Devemos olhar para o fato de termos esse tesouro de uma mini floresta urbana e estabelecer uma gestão que enxergue a educação ambiental que estamos desperdiçando ali e que, finalmente, faça acontecer de trazer um bosque visitável com trilhas, guias, iluminação, segurança e principalmente dinâmica para fauna que vem sendo constantemente atropelada e que agora, acaba de ganhar aprovação pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 466/2015 de passagens de fauna, ferramenta da biologia da conservação que poderia ser implantada.
Entendemos que saúde e habitação são prioridades, mas o conceito de saúde ambiental ainda está acima de tudo isso. O Brasil precisa sair da síndrome de colcha de retalhos e arregaçar as mangas para resolver problemas de base socioambiental. Ambiente bom gera pessoas saudáveis e boas!

Plínio Aiub é médico veterinário especializado em animais silvestres




