Custo-benefício

Uma das expressões que eu mais escuto no meu dia a dia é: “custo-benefício”. Seja na arquitetura ou no mundo do vinho, todos estão em busca do tal custo-benefício. Ora, não se engane (e nem se surpreenda com a minha franqueza): custo-benefício é uma expressão romantizada para se dizer que quer algo barato. Afinal, quem pede, por exemplo, um vinho com custo-benefício, dificilmente está esperando receber como proposta um vinho com mais quatro dígitos, mesmo que, em alguns casos, a melhor oportunidade de se aproveitar um vinho com custo-benefício, seja justamente essa.

Além de não encontrarem o tal vinho com custo-benefício, a obsessão pelo valor mais baixo da garrafa afasta cada vez mais o público do vinho certo. Não há mal algum em o valor ser um fator mandatário para a escolha do vinho, o erro está em apenas ele importar no momento da compra e tudo que estiver acima desse valor-teto, se transformar em um julgamento absoluto sobre o vinho.

E a partir daí surge o questionamento: só o vinho caro é um vinho bom?

Quando me perguntaram isso pela primeira vez, tentei explicar tecnicamente as questões que encarecem e tornam raros alguns rótulos que possuem altos valores, com o tempo, eu me pergunto por que faz tanto sentido o Fiat Uno custar mais barato que uma Mercedes-Benz, e soar um absurdo o Romanée-Conti ser infinitamente mais caro que um Reservado Chileno.

Me lembro quando a montadora Fiat lançou o Uno Way com a aposta de ser o carro mais econômico da categoria, e para isso, foi feito um teste onde ele era abastecido com 1L de gasolina para cruzar a ponte Rio Niterói, e ao final dos 14 km do percurso, o carro havia consumido apenas ¾ do combustível. Essa propaganda me faz entender que, para quem busca economia de combustível, esse carro, é um bom custo-benefício, pois existe o público certo para ele.

Eu diria que ele é tipo aquele vinho que você abre despretensiosamente, aquele que você não quis investir muito, mas que atendeu o seu desejo de tomar um vinho naquele dia. Um vinho para o momento e não para a memória.

Agora, se a comemoração for uma conquista alcançada, um aniversário de casamento ou a esperada viagem, o vinho escolhido provavelmente não será o mesmo, será algum que foi guardado para aquela ocasião, um vinho que serviu como objetivo final, onde se diz: “quando eu conquistar esse objetivo, vou abrir esse vinho”. É como uma Mercedes, ela se torna um sonho de consumo para muitos que almejam um carro melhor, e não só a praticidade e economia.

Cada um tem uma proposta: um promete agilidade; o outro, velocidade. Um foi projetado para ser econômico; o outro, para ser confortável. Um busca ser compacto e fácil de estacionar; o outro proporcionar uma experiencia ao dirigir.

Com o vinho é a mesma coisa. Tem vinhos que são vinificados para ser descomplicados e tem outros que ficam na memória. Para todos, houve um estudo e um tempo longo de trabalho, e cada um, tem o seu público-alvo.

A busca incessante pelo vinho barato nos faz provar sempre o “vinho do conforto”, aquele que você já sabe quanto vai pagar e já conhece a experiência. Agora, se arriscar a ir além do custo-benefício, te proporciona se aventurar pelo mundo dos vinhos e muitas vezes, reconhecendo o que de fato é um vinho com um bom custo-benefício.

O que vale no final é compreender que, não é o caro ou o barato que devem prevalecer na hora da compra, e sim a decisão de se naquele dia é mais interessante você ir de Mercedes ou de Fiat Uno.

Um brinde com um vinho de bom custo-benefício (e não barato) e até a Próxima Taça.

Mariana Mendes De Luca
@marianamdeluca

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