Com os grandes vencedores do esporte, da política, dos estudos e de todas as áreas, percebemos que os exemplos de vitória são talhados por grandes derrotas e muita persistência. Também numa analogia aos animais, percebemos o mesmo fluxo, ou seja, ser um vitorioso no clã requer muito fracasso até o êxito. Onde foge à regra, de que o fracasso precede a vitória, restam somente os fracos abastados e os animais cativos, nesses o sucesso vem de “mão beijada”. Aqueles que enfrentam a vida conhecem muito bem o que é perder, levantar e seguir. E nesse trajeto não são só eles que importam no contexto!
Claro! Aplaudimos aqueles que sobem ao pódio, os que crescem na vida e se tornam líderes, assim como admiramos o leão dominante, o cão best in show. Raramente notamos os que não se destacam, aqueles que ficam nos bastidores, aqueles que, mesmo sem subir ao pódio, executam tarefas tão importantes e básicas das quais sem elas, se quer, existiriam a confecção do próprio pódio. Também preferimos nos animais, os mais fortes e bonitos, aqueles que deixam sua genética predominantemente. Mas, já é provado por pesquisadores, que muita genética vem também daqueles ocultos no clã que, aproveitando a ausência do líder para manter o status de dominância em suas batalhas disseminam sua contribuição genética na heterose tão necessária a vida.
Admiro demais as pessoas que não aparecem, os segundos e terceiros lugares e muito mais aqueles que são apenas os perdedores os que se quer chegaram ao pódio ou que ficaram importantes e ricos em seus negócios ou na profissão, assim como admiro os animais da natureza que possibilitam a variação genética ou aquele cavalo de lida em detrimento ao super garanhão premiado. Esse contingente de pessoas e animais é que faz a vida existir na sua essência e que possibilita que uma pequena parte obtenha o sucesso e os holofotes. O que seria do vencedor de uma luta se não houvesse quem perder? O que seria da natureza se não houvesse as transformações sísmicas, fluviais ou ardentes.
Sempre fui do time dos fracassados e, por vezes, me questionei sobre isso, e sempre achei o motivo. Seja uma falta de estudo, uma falta de empenho e dedicação, seja uma falta de intelecto ou ardilosidade mesmo. Diante dessa contestação, achei valor em mim, achei valor nas pequenas coisas, notei que enquanto grandes pessoas vencedoras executam tarefas que não tenho capacidade, eu também executo sobras que alimentam o movimento da vida, enquanto uns são vencedores me coloco como perdedor e vejo que possibilito o êxito deles silenciosamente, fazendo meu papel honestamente de base e, foi aí que entendi o sentido de totalidade.
É por isso que quando vejo um vencedor, olho ao lado para ver de quem ele venceu para admirar aquele fracasso vitorioso.

Plínio Aiub é médico veterinário especializado em animais silvestres


