Centro-Oeste

Região mais rica do Brasil no que tange ao Agronegócio. Mas não só negócios! Lugar de beleza natural que abriga o maior berçário da vida silvestre do Brasil, o Bioma Pantanal. Só para se ter uma ideia da força desse, que é o menor bioma brasileiro, a taxa de densidade de mamíferos silvestres é de 0,74 espécies por quilometro quadrado, maior biomassa do mundo. Para comparar; a Amazonia tem 0,09 e a Mata Atlântica 0,26! Segunda maior região do Brasil em território que, além do Pantanal, abriga os biomas, Cerrado, Floresta Amazônica e Mata Atlântica. Portanto negócios e natureza andam juntos nessa região.

A fisionomia de paisagem do Cerrado se mostra toda diferenciada e especial, voltada ao clima local, seu regime hídrico chega, predominantemente, através dos rios voadores, fator que influencia o tipo de vegetação desse bioma. Resumidamente e, sem a pretensão de uma explicação técnica; lá no oceano, de onde vem a brisa marítima, que se canaliza em ventos oceânicos se “choca” com a serra do Mar levando esse vento marítimo para cima e precipitando em nuvens, essas são impulsionadas pelas correntes de vento em direção a região Amazônica que, por sua enorme umidade e precipitação, atrai essas nuvens e ventos costeiros e ajuda a condensar em nuvens de chuvas, essas acabam se deslocando por correntes para cordilheira dos Andes que forma uma barreira e direciona de volta para o meio do pais , o nosso querido Centro Oeste.

Detentor de rios importantes e de nascentes de grandes bacias hidrográficas  abriga ainda, boa parte do Aquífero Guarani em seu subsolo. Sua vegetação  toda retorcida de troncos e arbustos revestidos por cascas grossas de aspectos de cortiça com raízes profundas, retem toda e qualquer umidade que chega a ela, conferindo ao Cerrado, na medida do possível, a capacidade de suportar queimadas naturais e secas extensas, ciclando seus nutrientes em um solo, na sua maior, parte ácido e deficiente de minerais.

Toda essa riqueza e biodinâmica também é a mais ameaçada pela Agronegócio, já que se trata da região mais forte do setor. Sem a estupidez de condenar o Agro mas com pensamento um pouco mais ambiental e menos mercantilista não é difícil, numa simples viagem, atravessando o Centro Oeste, notar os impactos que grandes tabuleiros de plantações representam para fauna e flora. Mesmo preservando, obrigatoriamente, pelo nosso código florestal, de 25 a 35% de reservas nas propriedades, metade do cerrado já foi derrubado. Mas é importante também, enaltecer fazendeiros, que perceberam que o patrimônio natural é até mais rentável em pé do que somente tabuleiros de plantação de comodities pra exportação cheio de defensivos (para não dizer venenos) e, já vem preservando e explorando suas riquezas naturais dentro de suas propriedades em conciliação a culturas mais ecologicamente corretas e que abastecem o próprio país.

A reflexão que deixo aqui é de atenção e cuidado ao nosso Centro Oeste! Onde, no passado, teve até estimulo do governo para ser aberto por ser muito vasto e pouco explorado, supostamente coberto por uma vegetação de aspecto pobre, hoje é considerado um hotspot de biodiversidade mundial, mas que geralmente fica em segundo plano frente a Amazonia nas discussões Ambientais.

Se um dia o Pantanal e as riquezas naturais do Centro Oeste se reduzirem mais do que já estão reduzidas, nosso país perde o status de biodiverso em questão de poucos anos. Toda nossa característica mundial de país verde pode estar ameaçada inclusive em questões mundiais de negociações.

O Brasil verde e amarelo é muito mais que somente a Mata Atlântica e a Amazônia o Centro Oeste é muito mais do que soja, milho, algodão e boi, há muita riqueza de ecoturismo para conhecer valorizar e explorar!

 

Plínio Aiub
é médico-veterinário especializado em animais silvestres

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