Por Luciana de Andrade Ferreira Gomes
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Acordei bem… mas bastaram alguns minutos para tudo azedar.
O humor virou; o ovo virou; como dizem por aí.
Vazou água no banheiro.
Fui sair da garagem e tinha um carro me atrapalhando. Aliás, a garagem do meu prédio é um capítulo à parte: um verdadeiro exercício diário de paciência. Foi construída para abrigar um fusca; com sorte, uma Brasília dos anos 80, mas hoje tentam enfiar SUVs na vaga de um Fiat 147. Só isso já seria motivo suficiente para perder a calma.
Saí, enfim, para enfrentar o trânsito. Daquele jeito.
O paciente com pressa já me aguardava havia uns quinze minutos antes do horário marcado… e acabou sendo atendido quinze minutos depois.
Resultado: uma manhã, no mínimo, chata!!!
E, conforme a irritação aumentava, eu me lembrava de uma verdade simples e dura: a vida não é nada fácil.
Pode até ser bonita; muitas vezes é, mas fácil… não é!!
Basta olhar para a natureza; o mato cresce sem pedir licença. A enchente vem. A seca castiga; não manda aviso. É nua e crua!!
A vida é assim.
Não é feita só de relatos bonitos, dias leves e fotos bem enquadradas. Existem dias ruins, sim.
Dias em que a gente pensa: por que levantei da cama?
Lembrei, então, de um desses dias.
Um dia em que acordei feliz, animada para passar alguns dias em São João. Meu filho, mais velho iria comigo. Quase chegando, ele assumiu o volante. Tudo parecia tranquilo… até que uma nuvem preta tomou o céu.
Escureceu de repente. Pingos grossos começaram a cair.
Disse a ele:
– Vai devagar. Não pare na pista. Atenção redobrada!!
Antes mesmo da última palavra chegar aos ouvidos dele, o mundo pareceu desabar em água.
Chuva forte, vento, clarões cortando o céu nervoso.
Não havia escolha.
Era preciso seguir. Ele precisava enfrentar os próprios medos e inseguranças. E eu também!!!
E assim foi.
O dia em que uma cortina de água cobriu São João. Ao passar pela famosa Ponte do Arco, parecia que toda a água do mundo caía ali. Não conseguimos entrar na primeira entrada. Seguimos até a próxima, perto do Big Bom, vimos carros voltando… e voltamos também. Chegamos em casa. E chegamos com uma lição.
Mesmo nos piores dias, nem sempre existe a opção de desistir, de mudar de lugar ou de fugir.
Muitas vezes, é preciso enfrentar. E, quando enfrentamos, algo desperta dentro de nós: a coragem… e a fé.
A fé que não é testada quando o céu está azul, mas que se revela quando ele escurece. A fé que não depende do tempo, mas na verdade, de alguma maneira, ela caminha conosco em todo o viver.
Quando a dificuldade começa a ocupar o espaço da fé, a vida pesa. Mas, quando a fé volta a ocupar seu lugar, até a raiva daquela manhã vai ficando mais branda. O dia segue e fica a certeza silenciosa:
Os dias ruins passam; assim como os bons também passam.




