O quarto

Por Clineida Junqueira Jacomini
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No início do novo ano tiramos os enfeites natalinos no dia dos Reis Magos que visitaram Nosso Senhor Infante. Guiados por uma brilhante e significativa estrela, chegaram até à manjedoura simples onde nasceu o Salvador!

Adoro assistir à Folia de Reis em seu batuque que quase não existe mais! Com a reverência que a história nos exige, fui guardando o presépio, velas… tudo, nas caixas, esperando sua abertura no próximo dezembro. E as bolas vermelhas caiam no chão…e não quebravam!!!

E me lembrei: quando em criança, elas eram feitas de um cristal finíssimo e só de olhar já se trincavam.

Que coisa boa, essa junção de beleza e resistência, não? O efeito é o mesmo: lindas, coloridas e brilhantes, mas que não se quebram, nunca! Poderíamos ser comparadas a elas, as bolinhas, mesmo sem sermos obesas e redondas? Sim, com certeza, mas situação difícil de se ver. Somos bonitos? Fortes? Fazemos a diferenças na vida das pessoas? Não nos quebramos frente aos reveses (que são muitos!) da vida? Aparecemos pelo menos uma vez no ano às pessoas? E essas, apreciam a nossa beleza ou nossa feiura? Tudo isso me veio à mente ao guardar meus singelos enfeites e também ao ler um texto lindo sobre o quarto mago. Lenda? Invenção? Fato? ‘Qui lo sá”! como dizem os italianos. O certo é que fiquei impressionada com a história: um quarto mago também viu a estrela e saiu em busca do menino Deus.

Levava uma sacola cheia de pérolas, mas ao longo do caminho foi encontrando pessoas necessitadas que precisavam de seu dinheiro, atenção e ajuda. E ele foi se prestando a isso, distribuindo suas pérolas e quando chegou ao lugar almejado já não encontrou, nem seus amigos magos, nem o Salvador que tinha sido obrigado a ir, com seus pais, para o Egito para fugir da morte encomendada pelo cruel Herodes.

E ele não desistiu fácil! Continuou perambulando mundo afora atrás de Cristo; distribuindo sua riqueza, fazendo o bem e sendo um bom homem. Até que um dia, décadas depois ele entrou em Jerusalém e se deparou com uma multidão enfurecida exigindo a morte de um homem. Ao olhar nos olhos dele, por entre espinhos, lágrimas e sangue viu o mesmo brilho da estrela que outrora lhe guiara, embora em vão, ao berço do infante divino. Já idoso, triste e desiludido ficou por ali esperando a morte chegar. Apenas três dias se passaram quando uma luz, ainda mais brilhante do que mil estrelas, encheu seu quarto. Foi Jesus ressurrecto que veio ao seu encontro! O Rei Mago, caindo de joelhos, pegou a pérola que lhe restou e estendeu-a a Jesus, que a segurou carinhosamente e disse:

“Você não falhou. Pelo contrário, você me encontrou por toda a sua vida. Eu estava nu e você me vestiu. Eu estava com fome e você me deu comida. Eu estava com sede e você me deu uma bebida.

Eu fui preso e você me visitou. Eu estava em todas as pessoas necessitadas que você assistiu no seu caminho. Muito obrigado por tantos presentes de amor! Agora você estará comigo para sempre, porque o céu é a sua recompensa “.

A história não requer explicação… somos o quarto Mago e damos continuidade a esse trabalho todas as vezes que ajudamos alguém ao longo dessa caminhada chamada Vida. Desejo que as bênçãos e os ensinamentos do Mestre Jesus  acompanhem-nos em todos os dias deste ano.

E o outro quarto a que quis me referir? Meu sábio e bom marido sempre dizia que o que acontece entre um casal só as 4 paredes de seu quarto podem revelar…Mas, não o fazem! Às vezes, muitas, aliás, uma pessoa é boa, mas só da boca pra fora. Só para os outros! Em casa é uma peste; pra esposa é ruim, maldoso; não demonstra amor e é outra pessoa! Taí o quarto personagem dessa minha história de janeiro, fevereiro e março! Aquele abraço!

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