Reflexão sobre o jovem neste jovem 2026

Novo ano começa e me pego a pensar sobre a juventude. Será apenas um período de nossa vida? Já li que é mais que isso, envolvendo um efeito da vontade, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor do conforto.

Um exemplo é quando dizem que nos tornamos velhos ao desistimos de nossos sonhos e não por estarmos com mais tempo vivido. Talvez tenhamos que recuperar a alegria da juventude, o espanto das descobertas por mais simples que sejam. Substituir o abatimento pela esperança por mais difíceis e demoradas que sejam as soluções.

É carinhoso pensar em permanecer jovem consciente sendo receptivo ao que é belo, às mensagens da natureza, do homem e do infinito. Samuel Ullman (1840-1924) aconselhou isso e afirmou que o pessimismo, corroído pelo cinismo nos afasta radicalmente da juventude. E sentenciou: Os anos enrugam a pele, renunciar a seu ideal enruga a alma.

Isso me faz refletir sobre o que já estudei, condicionando minha visão do mundo. A natureza humana, tão complexa, levou-me a estudos amplos no campo da psicologia, articulada a outras ciências humanas. Sempre busquei ligações teóricas mais amplas para entender nosso funcionamento como seres humanos.

Estudei os grandes autores e grupos teóricos que tanto escreveram sobre nossa condição humana. Ao longo dos vinte séculos que acabamos de viver, estudos sobre o ser humano foram feitos e escritos. Em todos eles há uma diferença teórica não resolvida durante todos esses séculos. De um lado, aqueles que consideravam nossa mente ao nascer trazendo tudo a ser desenvolvido. De outro lado, a posição oposta dizendo que nascemos como “uma folha em branco” e que a influência do meio nos explicará sempre. No século XX surgem dois grandes teóricos apontando uma terceira e correta explicação sobre como aprendemos: o suíço Jean Piaget e o russo Lev S. Vigotski. Piaget dedicou-se à epistemologia genética, um ramo da filosofia que trata da natureza, origem, extensão e limites do conhecimento humano. Foi com tais estudos que Jean Piaget passou a estudar nossa psicologia desde o nosso nascimento.

Passou toda a vida com estudos sobre o desenvolvimento da inteligência. Muita gente ainda acha que temos dentro de nós todo o conhecimento do mundo. E que a educação é um simples processo que faz despertar o conhecimento que tínhamos adormecido em nosso interior.

O conhecimento, desde que nascemos, se dá pela interação entre nós e a cultura que nos cerca. Nessa interação entre sujeito e cultura, Piaget pesquisou por décadas o sujeito e Vigotski, a cultura.   Ambos mostraram que a construção se dá pela interação entre nós e nossa cultura. Ambos são interacionistas. Desde nosso nascimento desenvolvemos interação baseada em processos lógicos que vão se tornando cada vez mais complexos e flexíveis.

Encerro com uma afirmação de Piaget. Em entrevista sobre seu trabalho, declarou ele com todas as letras sua posição científica:

“Eu não sou nem um empirista e nem um inatista. Eu sou um construtivista, isto é, eu penso que o conhecimento é um processo contínuo de construção de novas estruturas, decorrente da interação do sujeito com o real: ele não é pré-formado, há criatividade contínua”.

Esse processo construtivo tem um momento de intensidade criativa na juventude. Por isso reclamo, como educadora, a melhor atenção aos jovens e a sua formação sólida para que sigam no objetivo de melhorar nosso mundo.

Maria Eugênia Castanho é doutora em Educação pela Unicamp e membro do IHGG de Campinas

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