Por Luciana de Andrade Ferreira Gomes
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Já estamos no meio de janeiro, e janeiro tem gosto de férias, de calor, de piscina, de mar…
E me lembrei dos dias que passei pelas cachoeiras. Num dos últimos dias de dezembro, fui até uma delas; não porque tenha crenças sobre a necessidade de tomar banho de cachoeira no fim do ano, mas porque eu amo cachoeiras. Sempre que tenho oportunidade, vou visitá-las, em todas as estações.
Todas as que conheço têm sua beleza, sua força e sua presença. Mas, há uma, bem pequena, que sempre me desperta uma sensação diferente quando chego até ela.
Tudo começa pelo caminho: uma trilha curta e estreita, na medida certa, cheia de verde e, muitas vezes, infestada de borboletas; já acompanhada pelo som da água correndo em seu percurso.
Ela tem apenas uma queda, mas essa queda parece dividida em duas. Sempre me lembra o tempo… Talvez pelo seu barulho, principalmente na época de cheia, que me faz estar em total presença: só naquele lugar, naquele momento, observando a água descer sem brigar com nenhum obstáculo, por maior que ele seja.
Ah, o tempo…
Acredito que o que ele não ensina, ele cura. Mas, o tempo também foi criado por necessidades humanas: de sobrevivência, de agricultura; para saber a hora de plantar, colher, caçar ou se abrigar.
Imagina só o que eu não escuto sobre o perigo de uma cachoeira em tempos de chuva! É preciso cuidado e, muitas vezes, nem aparecer por lá; afinal, o risco de uma cabeça-d’água (o aumento rápido e repentino do volume de água devido às chuvas nas cabeceiras) é grande!
E é verdade. Nunca se tem certeza se choveu muito na nascente e se aquela água vai descer toda de uma vez. Há também as pedras, os animais, os perigos… Enfim, a própria natureza nos ensina que nem sempre é tempo de se aventurar. É ela quem manda, e precisamos respeitá-la.
É… tudo tem seu tempo! Voltando a ele… Ao tempo.
Quando, na seca, cheguei à minha cachoeira predileta, senti medo de nunca mais ver e sentir a água descendo e batendo nas minhas costas. Havia apenas um fiozinho de água. Das duas partes antes divididas, agora restavam pedras secas, com apenas um filete escorrendo e preenchendo vãos jamais vistos em outras épocas.
Eu me perguntava como aquilo era possível e, com receio, pensei que talvez nunca mais visse aquela cachoeira sendo cachoeira. Mais uma vez, o tempo me mostrou a importância da espera. Era apenas um tempo: o tempo da seca; e tudo voltaria.
A minha cachoeira predileta voltaria a ter suas águas.
E, nesse tempo, nesse dia, escrevendo esta crônica, penso em tudo o que já vivemos: estações de águas e de secas… De verão, outono, inverno e primavera. Todas deixaram marcas em nossas vidas.
Mas, como dizia Einstein: “a diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão”. Que neste novo ano, neste novo tempo, possamos nos lembrar, não só na passagem de ano, mas sempre, que:
Hoje é um novo dia
De um novo tempo que começou…
Nesses novos dias
As alegrias serão de todos
É só querer
Todos os nossos sonhos
Serão verdade
O futuro já começou.
Na minha primeira crônica do ano, desejo a todos os meus queridos leitores que tenham bons tempos… Tempos de plantio e colheita. Aprendizados na seca e nas águas; no estio e na chuva; no outono e no inverno também. E que possamos nos lembrar, ao longo dos meses, que tudo pode virar ensinamento … Em todos os tempos!!!




