Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca
O charme do vinho branco é para mim único e, embora o Brasil seja a terra da cerveja gelada, o vinho vem ganhando destaque dentro de um cenário novo graças as descobertas em se produzir vinhos bons em terras promissoras.
Seria delírio dizer que o Brasil hoje é o país do vinho branco, mas podemos dizer que somos seus consumidores em ascensão. Isso porque quando falamos de vinho, os tintos do Sul do país ainda brilham os olhos de produtores mais conservadores e soam como um desafio aos entusiastas da dupla poda.
A dupla poda é a técnica responsável pela produção de vinhos no Sudeste, Nordeste e Centro Oeste do país. Ela inverte o ciclo natural da videira e induz a produção de uvas para a colheita no inverno, ao invés do verão, onde o clima é mais seco, com menor umidade e mais ensolarado, resultando em uvas de alta qualidade para a produção de vinhos.
E embora tenhamos a cada safra resultados cada vez melhores dentro das garrafas dos tintos, o consumo do branco tem chamado a atenção de quem se arrisca nesse universo, mesmo a vinificação deste sendo mais complexa que a do tinto.
Em 2025 no Brasil, 25% dos vinhos consumidos (nacionais e importados) eram brancos e apesar de muitos atribuírem esse aumento do consumo ao aumento da temperatura, eu o atrelaria a outros fatores presentes em nossos novos hábitos.
Em um Brasil não tão distante, pensávamos em vinhos brancos com certo preconceito e por isso, quem não gostava de vinhos, optava pelos mais doces, enquanto quem gostava, pelos encorpados dos nossos vizinhos argentinos. Não existia um meio termo e com isso, faltava equilíbrio.
Essa transição foi desafiadora, mas é sustentada pela acidez presente na maioria dos brancos, e é o que torna o vinho mais refrescante, ótimo para o verão e com isso, harmoniza muito bem com os pratos mais provados nessa época.
Pratos esses inclusive que tem sido mais leve e saudável, buscando atender não só um meio de driblar o calor, mas também a um estilo de vida mais saudável.
Visando essa busca da vida saudável, muitas pessoas optam pelo branco por, na maioria dos seus exemplares, o teor alcóolico ser menor do que nos tintos, possibilitando introduzir uma tacinha em um almoço durante a semana, sem se preocupar.
Por isso, meu desejo é que os entusiastas continuem cumprindo a missão de mostrar que não só vinhos tintos bons são produzidos aqui no Brasil, mas também um vinho branco de qualidade para quem sabe um dia, estar lado a lado da nossa cerveja gelada no ranking do consumo nacional.
Um brinde esperançoso no aumento do consumo do vinho branco, claro com um bom exemplar nacional e até A Próxima Taça.




