O trava-línguas do vinho

Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

É “Sirrá” ou “Shirrá”? “Chardonei” ou “Chardonai”? “Merlô” ou “Meloti”?

O trava-línguas que a pronúncia de algumas uvas cria deixa qualquer um inseguro na hora de falar seus nomes. Quando falamos, por exemplo, das uvas Sémillon ou Gewürztraminer a brincadeira fica ainda mais complicada. E antes que você pense ser falta de prática ou de conhecimento, saiba que até quem entende do assunto escorrega algumas vezes nessa pronúncia.

Isso acontece porque a maioria dos nomes vem das regiões onde as uvas nasceram, como França, Itália, Espanha, e em cada lugar existe uma fonética diferente. Como o mundo do vinho resolveu abraçar todas, nós nunca sabemos se a letra é para ser pronunciada ou se ela apenas está enfeitando a palavra. Por isso, saber a origem da uva pode ajudar na pronúncia correta dela.

Para esse entendimento ser divertido, vou caminhar por alguns países e tudo fará muito sentido na hora de pedir um bom vinho branco para o garçom em um restaurante, afinal, ao pedir esse vinho você falaria “Chabli” ou “Chablis”?

Então começando pela terra do Chablis (cuja pronúncia correta é: Xa-bli), a França tem o idioma oficial das letras mudas, como o S do Chablis que chega ao final da frase tímido e sem ser pronunciado.

E se alguma vez você ouviu alguém falar Mer-lô (Merlot) ou Cabernê (Cabernet) saiba que essa é a pronúncia correta, pois essa letra T quase nunca é pronunciada ao final das palavras. E quando falamos do clássico Pinot Noir, praticamente sussurramos o R: Pi-nô Nu-ár.

Já os italianos, falam como se escrevem e ainda colocam um pouco de drama e muita entonação. A letra R é sempre vibrante, o H é figurante e serve para mudar o som do C, dando a ele o som de “Ki” como o Chianti (Ki-an-ti), já a letra G quando acompanhada do E ou do I, tem o som de “Dj” como o Sangiovese (San-djo-vê-ze).

Os espanhóis não têm paciência para as letras mudas e vão direto ao ponto sem frescura. Além de colocar muita entonação na letra R, também transformam a pronúncia do J, como se fosse um gargarejo: Rrriô-rra (Rioja).

Os portugueses possuem poucas pegadinhas em seu vocabulário, mas a dificuldade aqui, é entender como o português realmente fala.

Em compensação o alemão, além de longos, os nomes parecem praticamente impronunciáveis para o nosso idioma. Então aqui vai uma dica fácil, mas que precisa ser praticada lentamente na hora da pronúncia: em alemão o W tem som de V, o V tem som de F, e o CH parece um “rr” com sotaque carioca. Ao tentar pronunciar a uva Gewurztraminer, vai parecer realmente um trava-língua, mas vamos lá: guê-vúrts-tra-mi-nêr.

Ah, e se você ficou curioso em saber a pronúncia correta dos exemplos do começo, eu te conto! A Syrah, a Chardonay e a Semillon são uvas francesas então, muitas letras ali são enfeite e com isso a pronúncia correta é Ci-rá, Shar-do-né e Se-mi-on.

A divertida tarefa é acertar a pronúncia correta, mas o errado mesmo, é deixar faltar vinho na taça.

Um brinde e até A Próxima Taça.

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