Só um presente forte garante um forte futuro

Nossa prática diante da situação em que vivemos leva-nos a muitas reflexões. A prática dos que trabalham que trabalham com educação, aparentemente simples, envolve uma densa teoria. Ao longo da história, muita gente de largo saber dedicou-se a refletir sobre como deve agir aquele que ensina para conseguir bons resultados com quem aprende. Foi o caso de Agostinho, no seu santo e paciente ensino a Deodato. É o caso de muitos pensadores. E é o caso de minha própria prática docente.

O ponto de partida dos grandes educadores foi investigar o que o aluno já sabe e ensinar a partir daí, levando em conta o estado atual do conhecimento do estudante. Ensinar a pensar não significa esgotar tudo o que cabe na disciplina, mas aprender a analisar e sintetizar, dando as ferramentas para o aluno buscar, criar, avançar por conta própria. E como saber se deu certo? Aí entra a avaliação, ampliando a chance de explorar outros tipos de inteligência na classe e permitindo aos alunos apresentarem seus talentos.

Quem ensina precisa ter a humildade de reconhecer que não é o único protagonista do processo de ensino. Há os alunos. Por isso, Jean Piaget insistia em que esse processo é uma co-operação, ou seja, uma operação em conjunto do docente com os estudantes e destes entre si: cooperação. Isso comporta inclusive, na sala de aula, alunos distribuídos por várias mesas e o professor circulando entre elas.

O currículo deve respeitar a identidade cultural, apresentando a realidade-matéria-de-ensino como algo em transformação. Há que levar em conta que a cultura na qual vive o aluno é constituída não só de palavras, mas de imagens, sons e cores. Daí:  usar música, filmes, propaganda, mapas, desenhos. O texto escrito, sem dúvida, continua muito importante, não deve ser abandonado, é instrumento para fazer pensar.

Usar a problematização é outro item imprescindível ao bom ensino. O “problema” é o cerne da ciência e da arte. Os problemas desinstalam, geram inquietude, levam à pesquisa e à produção do conhecimento. Desenvolver mentes perquiridoras, curiosas, perspicazes. Mostrar textos opostos, visões distintas de um autor a outro. Valorizar as inquietações e desenvolver a criatividade, que pode ser a via de acesso a uma penetração sistemática no domínio do conhecimento científico e filosófico. Discussões, encenações, debates, dramatizações, atividades as mais variadas, usadas com clareza de objetivos, podem ativar as forças criativas dos alunos.

Gosto de lembrar que o conhecimento é um todo. É claro que a complexidade do mundo exige a especialização. Mas o bom conhecimento da parte exige uma clara visão do todo. Cuidar, pois, da interdisciplinaridade. Restaurar o sentido original do conhecimento, que era único e foi se fragmentando.

No entanto, as condições de trabalho atuais comprometem o tempo de aprimoramento dos docentes e os baixos salários mostram o desinteresse cada vez maior pela procura de cursos de formação de professores.

A formação das crianças e dos jovens, no momento mais importante de suas vidas, fica ao deus dará.

Maria Eugênia L. M. Castanho, doutora em Educação pela Unicamp, professora universitária e membro fundadora do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

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