Inteligência Natural

“Achamos que somos mais espertos do que a natureza, mas não somos. E precisamos ter humildade e reconhecer que existe uma inteligência superior na natureza”.

Jane Goodall, a qual proferiu esta frase acima, acabou de nos deixar (1º de outubro). Seu legado como primatologista mostrou ao mundo que não estamos sozinhos e que há uma inteligência magnífica nas formas da natureza. Jane, que iniciou sua carreira de pesquisadora com a observação dos Chimpanzés, fez descobertas incríveis que mudou a forma de observarmos e entendermos nossos parentes mais próximos e muitas outras formas de vida. Observando a natureza, assim como todos que observam, descobrimos coisas fantásticas e chegamos ver Deus em tudo.

Esse fenômeno de se voltar as questões ambientais vem tomando corpo. O entendimento dos impactos ambientais que o mundo econômico tem causado ao planeta já não passam mais desapercebidos. Ferramentas como a internet e movimentos socioambientais tem mostrado maneiras de produção ecologicamente corretas com práticas sustentáveis em detrimento as práticas intensivas.

Mas há um tabu enorme a ser trabalhado internamente conosco: o reconhecimento de sermos mais uma espécie. Se colocar como tal, dentro das múltiplas formas de vida, requer a nós essa humildade proposta por Jane e sentida por todos aqueles que convivem harmoniosamente com a natureza.

Não é lutar por uma causa é não precisar lutar; não é parar de produzir é produzir para o entorno; não é parar as emissões é desacelerar o consumo; não é prometer um mundo inclusivo é não ganhar em cima dos outros; não é plantar árvores é reconhecer, proteger, preservar e explorar de forma mais natural e no tempo das estações.

O ambientalismo cresceu e vai crescer ainda mais. A COP 30 é uma baita reunião, programas que serão apresentados lá são de tirar o chapéu.

Mas o ambientalismo ainda se volta a si, se volta ao homem, o homem é o entendido, ele é o centro, ele sabe da natureza mais do que a crosta terrestre sabe sobre o magma então, cria-se um distanciamento do que é a essência de apenas mais um macaco nu descrito por Desmond Morris e tudo parece voltar algumas estacas atrás.

Estamos preparados para se tornar um mundo ecologicamente correto?

O mundo econômico que criamos de consumo está em todas as classes. Se tiverem oportunidades econômicas vão querer comprar. O modo de vida de produzir, gerar empregos, criar a roda do consumo e reverter localmente a renda parece a roda da fortuna virtuosa, mas é, na verdade, uma “forçação” financeira que se abstrai da natureza para planilhar riqueza e lucro.

Vamos ficar atentos ao amor a natureza, ele está crescendo, mas não tem a profundidade necessária para desacelerar, verdadeiramente, essa nossa espécie que já tem causado todo desgosto ambiental do mundo.

Quem disse que tudo isso é para nós?

Se a terra foi feita para o homem, que estejamos à altura desse compromisso vigiando a constante renovação que a natureza nos dá a todo instante como oportunidade de sobreviver sem mais ambições, assim como os animais irmãos.

Plínio Aiub

é médico veterinário especializado em animais silvestres

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