Tantas malas…

Por Luciana de Andrade Ferreira Gomes
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Fui em um feriado prolongado para São João; estava começando a esfriar, então comecei a pensar o que levar e logo avisei os meninos:

-Precisamos fazer as malas, mas está esfriando!!

E logo um me respondeu:

– Mas, São João é quente, vou levar shorts e chinelo!!

Então a saga começou… roupa de frio; porque íamos para o sítio também e por lá, à noite, a temperatura cai bastante. Roupa de calor: porque São João durante o dia é bem mais quente. Na verdade, o clima parece estranho ultimamente e não temos mais as estações definidas.

De repente vejo a sala de casa com muitas malas!!! Se alguém chegasse naquele momento, certamente acharia que estávamos de mudança!!!

Realmente, os dias foram quentes e as noites mais frias; mas as malas quase intactas ficaram!!! Era muito mais roupa e sapatos do que era preciso; deu muito mais trabalho que o necessário; afinal: faz mala, carrega todas até o carro, tira todas do carro, coloca no carro de novo para ir para o sítio, ajeita as malas novamente para o retorno, coloca todas as malas de novo no porta malas e descarrega tudo de novo!!!!

Então, fiquei pensando em todas as bagagens emocionais que levamos pela vida…Algumas que não fazem mais sentido; tantas outras que não nos servem mais, mas, por medo de “passar frio ou calor”, carregamos muito mais sentimentos e emoções do que precisamos.

Nesse momento, fico imaginando quão libertador seria ir sem mala alguma… Mas, não deve ser, nenhum pouco confortável, fazer uma viagem assim, sem nada para carregar!!!

O equilíbrio é a chave!!!! Mas, que difícil chegar nele… Fazer uma mala onde usamos tudo que levamos, sem que falte nada, seria o ideal naquele feriado!

Na volta para casa com todas as malas, as bananas nos cachos, porque demoram mais para amadurecer; os mamões, as roupas sujas, as várias malas… comecei a colocar cada coisa no seu lugar e ao abrir o armário, mais roupas e sapatos estavam lá e a certeza que carrego e guardo muito mais que preciso!!!!

Então, fiquei pensando o que estou guardando e carregando? O que precisa continuar comigo e o que é necessário deixar para trás?… O que está me machucando? O que está me impedindo de realizar meus sonhos, novas descobertas e experiências…

Junto a tudo isso aparece o medo, como aquele de passar frio ou calor; o medo do desconhecido; de perder o controle (que, acho que tenho, mas que, na verdade, não tenho nenhum)! Aparece a culpa, pois imagina não levar o casaco de frio dos meus filhos, aquele que só dá pra usar em temperaturas muito baixas e eles passarem frio!!!

Aparece a decepção, afinal tenho tanta roupa no armário e aquela que ficaria perfeita naquele dia, foi esquecida!!!

Chego à conclusão que é possível doar roupas e sapatos; esvaziar o coração dos medos, afinal eles existem para serem enfrentados; tirar as culpas e as transformar em perdão, pois os erros fazem parte de nossa vida e eles nos servem de aprendizado!!

As decepções são só um aviso que, na vida, as frustrações são inevitáveis! Afinal, nem tudo está ao nosso alcance!!!

Na próxima viagem uma coisa é certa: tentarei levar só o necessário e nela com certeza vou aprender um pouquinho mais, como nessa: que muitas malas viajaram comigo!!!

 

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