Por Clineida Junqueira Jacomini
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Quero relatar aqui o que vi e vivi nos EUA. Muitas coisas diferentes! Quase tudo descartável, muito verde já amarelando pelo frio que chega; muita or-dem, obediência às regras, limpeza, milhares de carros novos aglomerando-se nas rodovias etc etc – muita diferença de minha vidinha no Brasil. Como adoro guardar e consertar as coisas, custei a me acostumar! Não jogo nada fora! Em compensação, assisti a inúmeros concertos numa telona com som alto, pois as casas onde estou são separadas com gramados, cercas e arvore-do mais parecendo nossa zona rural. Num domingo, fui a um lugar lindo! Era uma das casas de veraneio de Cornelius Vanderbilt, lugar preservado desde o século XIX, com árvores milenares! Ele foi pioneiro e virou magna-ta das empresas náuticas e nas ferrovias do leste desse país. Começou com um empréstimo de US$ 100, transformado numa potência milionária pou-cos anos depois. Esse primeiro Vanderbilt se casou, teve filhos, um dos quais – William – seguiu a tragetória brilhante e empreendedora da família. Seu neto, Frederick, também foi vizinho de F. D. Roosevelt e Eleanor. Com a morte da mulher, em 1926, e 8 anos mais tarde, a dele, sem descendentes diretos, todo o patrimônio em Ryde Park ficou para uma sobrinha de Loui-se. Não conseguindo vender a bela propriedade pelo preço que queria, ela – por sugestão de Roosevelt – optou por doar a área verde (às margens do rio Hudson) com uma mansão monumental, em troca da isenção de impostos sobre seus outros bens. A venda foi pela quantia simbólica de US$1. Hoje, tudo pertence e é gerido por um órgão estatal. Os cômodos da mansão são indescritíveis em luxo e riqueza, características da aristocracia da época, dos séculos XVIII ao XX. O casal deixou seus empregados domésticos, que o acompanhavam em suas viagens e moradias, muito bem! Eram 60 pessoas, que residiam nos andares inferiores da mansão, ali moravam, cozinhavam e serviam seus senhores, que ocupavam os pisos superiores. Uma série de TV excelente e que prende a atenção de quem a assiste – The Gilged Age – re-trata tudo isso: essa realeza sem coroa nem cetro da Nova York do século XIX, com a elite tradicional da época rejeitando os `novos ricos` presentes e crescendo em todos os países do mundo. Esses emergentes sofreram muito, mas, ao final, o dinheiro venceu a resistência dos aristocratas, como acon-tece até hoje, e eles conseguiram o status, a aceitação e sobreviveram ga-lhardamente! Assisti às três temporadas dessa série incrível que, penso, pas-sa ou já passou na HBO da Sky. Ah! É da Família Vanderbilt, que chegou aos EUA em 1650 com Jan Aertsen Van Der Bilt, a maior residência ameri-cana que fica na Carolina do Norte, em Biltmore, construída em 1889. Ela tem 51.000 ha, 250 cômodos, 65 lareiras, 35 quartos e 43 banheiros! Mas, como tudo e todos nessa vida têm seus dias já contados pelo Senhor, há início, vivência e finitude! E concluo: tudo passa, tudo muda e temos que aceitar isso de coração aberto. Daí, o titulo: The end – Fim!!!




