Por Luciana de Andrade Ferreira Gomes
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Nunca fui torcedora fanática. Na televisão, quase sempre troco de canal quando começa um jogo. E, sinceramente, nunca imaginei que seria mãe de dois meninos apaixonados por futebol. Não que eu tivesse preferência por menina; nada disso, mas achava que não teria “jeito” com menino.
Ah, a maternidade tem dessas surpresas… ela nos ensina o que jamais imaginamos ser capazes de fazer … e sentir!
Então, aquilo que eu não conhecia, comecei a tentar entender. Mesmo depois de anos e várias tentativas, confesso: ainda não sei direito quando é escanteio, e às vezes nem vejo as faltas. Mas tá valendo! O que mais gosto mesmo é de torcer pelo time dos meus meninos; é uma emoção indescritível.
E lá fui eu, certa vez, para um clássico. Nem sabia que, em São Paulo, jogos assim não têm encontro de duas torcidas. Quando os meninos me explicaram, reagiram espantados:
— Mãe, em que mundo você vive? Já faz anos que é assim!
Pois é. Nesse quesito, estou mesmo no mundo da lua. E o mais curioso é pensar em como o nosso cérebro apaga o que não nos importa e; ao mesmo tempo, guarda coisas sem a menor necessidade.
Voltando ao jogo… a rua parou para a chegada dos ônibus com os jogadores. A polícia escoltando, a cavalaria posicionada. Quando o time mandante desceu, foi um espetáculo: gente feliz, empolgada, cantando.
Entramos no estádio. Grande, imenso, vibrante. E quando a torcida toma seus lugares, parece que a alma de todo mundo se une. Os mais de 65 mil lugares ficam pequenos diante de tanta emoção.
Foi então que a música começou a fazer sentido:
“Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”
Gente, é lindo demais uma partida de futebol; mesmo eu não entendendo nada! Só percebo o gol quando vejo aquele monte de “malucos” se abraçando, vibrando como se a vida inteira dependesse daquele momento.
E vem a outra estrofe da música:
“Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar se ele não ganhar
Mas se ele ganha não adianta
Não há garganta que não pare de berrar”
A cada gol, era uma gritaria contagiante. A alegria dos torcedores; do jovem ao mais velho, era pura, genuína. O mesmo amor que o avô passa ao neto, geração após geração.
Mas quando o gol foi do adversário… silêncio. Tristeza. Inconformismo. Ainda assim, no fundo do coração de cada torcedor, o amor pelo time permanece ; junto com a beleza do jogo.
Descobri ali o que é um centroavante. Ou melhor, entendi quando ouvi os torcedores reclamando: “Assim não dá, não tem centroavante!” E os nomes… Ah, aqueles que ensinei aos meus filhos que não deviam falar, ecoavam de um canto a outro! Coitado do juiz!
Mas, como dizia Nietzsche, “sem a música, a vida seria um erro”.
E foi a música que me ajudou a entender a poesia do futebol:
“O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol…”
Foi, sim, uma partida de futebol. Mas o show; o verdadeiro espetáculo, foi viver tudo isso ao lado dos meus meninos torcedores.
A vida tem dessas, as vezes o que achamos que não vai ser bom, que não gostamos, vira uma bela experiência!!




