Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

A temperatura caiu e a quantidade de vezes que eu escuto “esse tempo é bom para tomar um vinho”, só aumentou. Em todas elas eu me pergunto: “só esse tempo?”, para mim, o ano todo está bom para tomar um vinho.
Muito se admira a cultura do velho mundo, onde o vinho é posto a mesa o ano todo, e pouco se fala dele quando as temperaturas sobem em nosso continente. Claro, temos que levar em consideração que nossa cultura é da cerveja gelada, mas sem querer roubar protagonismo de um bom personagem, o vinho tem potencial para fazer parte dessa história, é só enxergarmos que sua combinação vai além do frio e vinho tinto.
Simples trocas podem valorizar a maneira como vemos o vinho quando as temperaturas caem e as comidas como massas com molhos quentes e caldos, são mais consumidas.
Quando o protagonista do prato é o queijo, como uma fondue por exemplo, a acidez e a estrutura de um Chardonnay e de um Riesling complementam a gordura presente nele, mas, como essas uvas produzem vinhos brancos e estes são servidos em temperatura baixa, a tendencia é preferir um vinho tinto para acompanhá-lo.
Então ao invés de escolher um Malbec, um Cabernet Sauvignon ou outros vinhos encorpados dos nossos vizinhos, opte por um Pinot Noir, um vinho leve e frutado que vai acompanhar melhor esses pratos enquanto, uma boa carne assada completará, com maestria, o cardápio para o vinho encorpado.
Eu arrisco dizer que é por isso que a maioria das pessoas ‘desistem’ do vinho quando as temperaturas sobem.
O hábito de harmonizar, pode mudar a sua relação com o vinho.
Quando a maioria das pessoas ouvem a palavra ‘harmonização’ vem à mente uma porção de taças, vinhos e palavras complicadas. Mas harmonizar é o simples ato de transformar o paladar equilibrando o que se come ao que se bebe.
Uma dica que eu sempre dou é a de acompanhar a cor da carne à cor do vinho. Ou seja, uma carne de porco ou de peixe, com um vinho branco, um salmão ou uma linguiça, com um vinho rosé e uma carne vermelha, vai ser bem servida com um vinho tinto.
É simples e agradável!
Uma outra forma de harmonização que eu adoro, é favorecer uma nacionalidade a cada estação do ano.
O verão do início do ano combina com um vinho leve e fácil de provar, como um rosé de Provence, na França, quando o outono começa, migramos para um tinto não tão pesado como um Syrah, que tem se desenvolvido muito bem aqui no Brasil. Então, chega o inverno e vinhos mais estruturados como um Tannat do Uruguai ou um Chardonnay de Chablis acompanharão muito bem as boas comidas dessa época. Na primavera, o acompanhamento pode ser um Garnacha espanhol ou um Pinot Noir de Borgonha, na França, e para o brinde do final do ano é sempre muito bem-vindo um bom Prosecco italiano.
Na harmonização existem princípios, mas não regras. O que manda nela, é a nossa percepção do que está sendo harmonizado. Para isso a única temperatura que importa aqui, é a do vinho, afinal, se o inverno é bom para tomar vinho, por que o verão também não seria?
Um brinde e até A Próxima Taça!




