A hora da despedida

Porque a vida é feita de ciclos, a despedida é uma constante invariável.  Nos despedimos de amigos, de colegas, de familiares, de amores, de lugares e até mesmo de estações. Despedidas são, na maioria das vezes, dolorosas.

“A despedida na literatura é um tema recorrente que abrange uma variedade de expressões e reflexões sobre a separação. Poetas e escritores têm explorado a temática da despedida em suas obras, utilizando diferentes estilos e recursos literários para capturar a essência das emoções envolvidas. A poesia é um gênero literário que se destaca por sua capacidade de transmitir sentimentos intensos, como tristeza, alívio, esperança e gratidão, em momentos de separação. Fernando Pessoa, por exemplo, em “A despedida de Fernando Pessoa”, realiza despedidas significativas com pessoas que fizeram parte de sua vida de maneira que nunca iria conseguir esquecer. A obra é dividida em três partes: A morte de Fernando Pessoa, O adeus de Fernando Pessoa e Um jantar com Fernando Pessoa”  (Blog Segredos Literários).

“As despedidas mais longas são as mais difíceis de suportar”, afirma o escritor Machado de Assis.

“Como um adeus de despedida / Nos faz o coração sofrer! / Que instante rude o da partida…/ Fecham-se os olhos para não ver” (Bastos Tigre- jornalista).

“Uma despedida brusca- evitam-se as explicações”, conclui o escritor português, Eça de Queirós.

“Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada / E triste, e triste e fatigado eu vinha. / Tinhas a alma de sonhos povoada, / E a alma de sonhos povoada eu tinha… / E paramos de súbito na estrada / Da vida: longos anos, presa à minha / A tua mão, a vista deslumbrada / Tive da luz que teu olhar continha. / Hoje, segues de novo…  Na partida / Nem o pranto os teus olhos umedece, / Nem te comove a dor da despedida. / E eu, solitário, volto a face, e tremo, / Vendo o teu vulto que desaparece / Na extrema curva do caminho extremo (Nel mezzo del camin, de Olavo Bilac).

O cantor e compositor, Roberto Carlos, exprime o sentimento que se lhe manifesta na despedida: “Já está chegando a hora de ir / Venho aqui me despedir e dizer / Em qualquer lugar por onde eu andar / Vou lembrar de você. / Só me resta agora dizer adeus / E depois o meu caminho seguir / O meu coração aqui vou deixar / Não ligue se acaso eu chorar / Mas agora adeus”.

A música ‘Até Ver’, de Almir De Souza Serra e Luverci Ernesto Waetge, é uma profunda reflexão sobre a dor da separação e a saudade que ela deixa. “Ao Deus dará / Vou me achar a vagar / De lugar a lugar, por aí / A recompor / A expor minha dor / Eu nasci ou morri / Logo irei / Lhe dizer a sofrer / Até ver, frenesi / A razão me aborda / Coração não concorda / Raio de Sol me aborda / Hora de me despedir / O espelho do quarto nos espia com altos faróis / E nós dois abraçados, atados em altos lençóis / O amor faz perder, dividir / E repor ao vencer pra servir / Meus botões, eu confesso / A saudade já meço pensando em partir”.

A canção ‘Amigos Meus’ de Vinicius de Moraes aborda a temática da despedida e do recomeço, refletindo sobre os momentos finais de um encontro entre amigos. “Amigos meus, está chegando a hora / Em que a tristeza aproveita pra entrar /E todos nós vamos ter que ir embora / Pra vida lá fora continuar / Tem sempre aquele / Que toma mais uma no bar / Tem sempre um outro / Que vai direitinho pro lar. / Mas tem também / Uma sala que está vazia / Sem luz, sem amor, sombria / Prontinha pro show voltar / E em novo dia a gente ver novamente / A sala se encher de gente / Pra gente recomeçar”.

A música “Encontros e Despedidas” (Hubert Laws e Milton Nascimento) é emblemática desse momento, representando a ideia de idas e vindas da vida e a aceitação da transitoriedade.  “E é assim chegar e partir / São só dois lados da mesma viagem / O trem que chega é o mesmo trem da partida / A hora do encontro é também despedida / A plataforma desta estação / é a vida desse meu lugar / é a vida”.

Ana Lúcia Finazzi

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