Por Clineida Junqueira Jacomini
[email protected]

Para o casal amigo Ronaldo e Gizele, com amor!
Saindo da cama tarde por causa do frio que está fazendo nesse julho; ouvindo notícias a cada dia mais escabrosas entre nós e os States; guardando coisas, fazendo comida, comendo e bebendo mais água também por causa do frio e nossa combustão que nos aquece; bem agasalhada, pois infartadas não devem sentir frio….etc etc de qualquer dona de casa que se prese…assim são os meus dias. Ah! Lendo o obituário diariamente! Morbidez? Não! Sinal de velhice mesmo! E tenho constatado que as mortes são de idosos (as) com mais de 80 anos. Vai daí, portanto….Penso na danada, cavernosa, com ou sem a foice daquele livro de Monteiro Lobato. Nele, a morte/caveira/com foice veio responder às preces de um lenhador que se queixava diariamente do peso em suas costas; do trabalho intenso e mal pago na floresta; dos ferimentos que os estrepes lhe causavam, pedindo para a danada lhe levar. Mas, como nos mostra o instinto de sobrevivência, ao ver a morte em sua frente, pronta para levá-lo, o lenhador sem graça lhe diz: _Chamei-a, sim, mas só para me ajudar a por o feixe de lenha nas costas! Realmente isso dá o que pensar, mormente para nós da geração de 45, aquela que obedecia e obedece às regras até hoje, coisa que não acontece com os jovens! Nos semáforos, os motoqueiros não esperam o sinal verde abrir para eles; no amarelo e vendo que estão livres, já passam! Isso me agride profundamente, pois obedeço sinais, regras, ordens, etc. Bem, mas escrevo sobre idade, morte e situações rotineiras por uma causa um tanto triste e constrangedora: Me pego, muitas vezes, pensando, quando dúvidas me assolam: _Vou perguntar para meu irmão! Ele já se foi! Numa outra dúvida: _Vou perguntar para meu primo: ele já morreu! E isso e outras coisas mais me deixam agoniada; triste; nostálgica!!! E comentando sobre isso, essa espécie de solidão mesmo em meio a gente, uma amiga muito sábia e filósofa culta me perguntou: _Você sabe o que significa a palavra nostalgia? Na hora não atinei! (que termo mais antigo! De antes de minha geração!!) e ela: _Algia quer dizer dor; então, ‘nossa dor’! E é isso mesmo! Nossa dor; nossa tristeza por ficar quase que única na nossa ‘prateleira’; restando poucos amigos; poucos parentes; poucos tudo! Mas, ainda estamos VIVAS!!! E viva isso! Encerro com um poema:
De Bastos Tigre sobre a velhice:
Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.
Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas, lavra ainda e planta o teu eirado,
que outros virão colher quando te fores.
Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!
Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.
Lindo e significativo para todos nós, não?




