Mais sabor para o morango do amor

Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

Um saboroso bombom recheado com morango ganhou destaque na produção de diversas confeiteiras que viram seus lucros aumentando significativamente depois que ele caiu nas graças da internet.

Uma fina camada crocante envolta de uma generosa camada de brigadeiro branco com um suculento morango ao centro, teve seu sucesso atrelado, segundo alguns nutricionistas, a nossa memória afetiva já que, em nosso cérebro, emoções e paladar caminham juntos.

A romântica história que antes era protagonizado pela maçã do amor em festas juninas, hoje ganhou uma nova versão, então, por que não acrescentar um vinho e contar essa história com ainda mais sabor? Foi exatamente isso que eu fiz para provar a vocês que o doce do momento, tem sim, como ser harmonizado a um bom vinho.

Enquanto no próprio doce existem sabores opostos onde o azedo da fruta contrasta com a doçura do brigadeiro, no vinho eu apostaria na harmonização por semelhança. Onde o vinho escolhido deve ser tão ou mais doce que a sobremesa que se aprecia.

Sendo assim, vinhos com alto teor residual de açúcar como um Moscatel ou um Demi Sec são acompanhamentos perfeitos. Um vinho Moscatel tem doçura e notas frutadas, que harmoniza com o caramelizado do doce. Já um Demi Sec Rose por exemplo, por ser delicado e com notas de frutas vermelhas, combina perfeitamente com o morango.

Essa combinação entre comida e bebida, que hoje chamamos de harmonização, vai muito além de gosto pessoal, ela é uma ciência onde são analisadas as características do vinho e do prato.

Ora, você pode não gostar de vinho doce, mas adorar o morango do amor. Então, experimente provar os dois juntos. A influência mútua que um terá sob o outro vai realçar o sabor deles.

Essa é a arte da harmonização, que surgiu na Europa, mas não se tem uma data específica para ela. Acredita-se que apreciadores da França, Itália e Portugal, onde a cultura vinícola é uma tradição, começaram a notar como o vinho se tornava mais saboroso quando provado junto a comida, por volta do século XVII.

Infelizmente hoje, harmonização tornou-se um tema banalizado por muitos. Existe até uma conversa de bastidor, no mundo dos especialistas em vinhos, onde alguns defendem que harmonização não existe, que isso é algo criado pela nossa mente. Para esses colegas, eu sugeriria que um dia provassem uma ostra acompanhadas de um Malbec. Certamente, o vinho irá roubar a cena e de nada faria diferença o frescor da ostra.

A harmonização é algo tão interessante que em cada região do mundo ela se desenvolveu de acordo com o paladar e a tipicidade de suas comidas.

Existem países que são mais liberais como os ingleses por exemplo, que entendem que cada um tem seu tempero, e aqueles menos liberais, como os franceses que não aceitam um grande vinho tinto sendo servido com peixes e crustáceos.

Além disso, para eles cada prato deve ser harmonizado com um vinho. Se para um jantar você tiver poucos vinhos a solução é ter menos pratos, mas nunca servir um mesmo vinho para todos os pratos.

Entre curiosidades e harmonizações, certos sempre estiveram os franceses, que diziam: um vinho e um homem nunca devem estar só em uma mesa. Provando que a harmonização existe e pode sim transformar seu morango do amor em um momento ainda mais prazeroso, com o vinho certo!

Um brinde as boas harmonizações e até A Próxima Taça.

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