Por Clineida Junqueira Jacomini
[email protected]
Para os sanjoanenses especiais que já se foram para o além para curtirem outros crepúsculos!
Todos me sabem musical demaisdaconta! Meu combustível é a boa música! São as danadas 7 notinhas que moram em 5 linhas chamadas pentagrama que me movem, literalmente, desde sempre! Nasci e moro até hoje na fazenda. Não gosto de festas juninas que usam trajes com remendos que ridicularizam o povo que trabalha duro, na terra, para dar de comer aos engravatados urbanos. Mas…e sempre tem um! Soube de uma música composta por um conterrâneo meu, gramense também, Alex Rocha que, ora, mora na capital. Não sei como, mas ele conheceu, um dia, o empório da Ademar de Barros, aquele que tem tudo! Hoje nas mãos régias dos filhos! E fez a música a seguir.
“- Ê cumpádi, tô precisando comprá estribo, pra ponhá na égua
– Uai, mai cê já foi vê lá no Empório do Camargo?
– Empório do Camargo?
– É rapaiz, lá tem tudo, já viu?! Chapéu de páía, fumo de corda, ração pra cachorro, enxada, facão, tacho de cobre, corda, corrente, ratoeira, pinico, veneno pra formiga, vacina pra gado, vermífu, minduim, cachaça, panela, sela pra cavalo e estribo de égua!
É no empório do Camarguinho Tudo o que eu quero eu acho rapidinho É no empório do Camarguinho Tudo o que eu quero eu acho rapidinho
Fumo de corda, tem pote e moringa Também tem barcão para tomá uma pinga Vende baraio pra jogá um truquinho Chapéu de páia e viola de pinho
Latão de leite, vara de pescá Tem botina nova para passeá Gaiola boa para os passarinho Vitirinário pra curá os bichinho
Lampião de gás, tem pinico limpo E se duvidar lá tem batom e brinco Vende vermífu pro animal fraquinho Relógio antigo e paletó de linho
Gaiola, arreio, canivete, estribo Tem compra de mêis com farinha de trigo No fim do ano sai um calendário Tem quase tudo do dicionário
Cabo de enxada, cravo e ferradura Lá tem ratoeira e queijo meia cura Tacho de cobre pra fazê um docinho Pra fechá a conta: um garrafão de vinho!”
A música é fácil e a conheci tocada pela excelente Orquestra de Violas (caipiras) da cidade; composta por excelentes violeiros!
Não escrevo errado; apesar de, às vezes, brincar usando o linguajar da roça. Não admito erros de Português, mas transcrevi integralmente a letra como recebi do Departamento de Cultura, gentileza da Lucelena que conseguiu a letra através de sua fiel colaboradora, Glorinha. Ainda na semana de comemorações dos 201 anos dessa cidade linda, com céus abertos e coloridos; que me recebeu em 1956, ainda que, menina de 11 anos, confinada como interna no Colégio Santo André lá no alto perto do Cristo e depois como estudante até 1965 quando, já formada, voltei para a vizinha Águas da Prata, hoje quase que literalmente grudada em São João, resolvi escrever sobre minhas lembranças! Antes do Camarguinho e tudo que lá existe para vender, havia outro empório numa das outras esquinas da mesma rua, só que na calçada em frente: era do Tonico Rodrigues Estevam, de família assás conhecida e atuante em São João. Ele e sua esposa Lili, sempre presentes em seu lugar de trabalho também tinham ‘de um tudo’ como dizem aqui na roça. Ela sempre de avental florido o usava para não se sujar com o movimento da rua, de comércio quase único, continuação da outra, Saldanha Marinho, início da colonização da cidade, entrada de Vargem Grande do Sul. Na mesma calçada, mais no final estava o empório do Salvador Poveda, família toda de comerciantes muito conhecidos dos sanjoanenses! Dentro do antigo Mercado Municipal, hoje Lojas Cem, havia a loja do Cumpadi Fica Fica, amigo de todos e radialista; depois sua loja foi para a mesma rua e vende artigos esportivos até hoje. No Mercado havia também a floricultura da Maria; vários açougues e a loja do Joãozinho de miudezas para costura. Quantas lembranças me vêm nesse dia de São João chuvoso e frio de 2025!!! E para não fugir à minha assertiva do início, termino com a música dos Titãs:
EPITÁFIO
Compositores Sergio Affonso / Eric Silver
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar.
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr!
Devíamos!!!!Curtir a vida e amigos; aproveitar a família e as crianças; dar graças a Deus e honrá-lo; nisso consiste a vida enquanto ela durar…….




