Por Clineida Junqueira Jacomini
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Quero falar dessas duas personalidades ilustres que nos deixaram essa semana: Maria Gabriela Junqueira Valim e Antonio Carlos Oliveira, o Leivinha. Ambos ligados a mim e à minha família desde sempre. A querida Bielinha era filha de meu tio Zezinho, da Fazenda Santa Teresa, irmão de meu pai. E o Leivinha era o caçula da Nazareth e do Cajuca; ela, cantora sacra nas procissões e missas, funcionária da Coletoria Estadual e ele, morto tão cedo, Benedtio Oliveira, funcionário da Prefeitura. Escreveu um precioso livro sobre a saga de 32 o qual precisa com urgência ser novamente editado para ser estudado nas escolas da região. Bem, fui amiga íntima na infância e adolescência da Lúcia, irmã do Leivinha. Tínhamos 10 anos quando ele, “rapinha do tacho”, nasceu e ficou órfão com apenas 11 meses de idade. Fez Agronomia em Pinhal, mas seu sonho ao qual devia seu próprio nome/apelido era o futebol (João Leiva foi um grande futebolista, palmeirense e parecido com Antonio Carlos!). Bom escritor e amigo de todos, sabia tudo sobre esse esporte, mormente em nossa região. Seu livro sobre isso é apreciado por todos quantos gostam de futebol…E quem não gosta? Sua paixão era sua linda filha, Fernanda, advogada, a qual ele carregava onde ia. Seu irmão, José Paulo, falecido precocemente era a minha salvação nos bailes da Esportiva na década de 50. Dançava como ninguém!

E da linda Biela o que tenho a dizer? Seu trabalho com as gestantes carentes junto com outras senhoras ligadas ao Rotary Clube ficará na história sanjoanense! Minha fã número um! E nossa admiração era recíproca! Senti muito sua morte, depois de tanto sofrimento e muitos dias internada, mas sempre com a cabeça lúcida e o coração bom!

E um fato quero relator aqui pois foi muito marcante em minha vida! Em 1998/9, minha mãe sempre muito saudável ficou doente; diziam ser Parkinson; tomou remédios muito fortes, sua cabeça pirou; entrou em coma e ficou 11 dias na UTI. E saiu, não porque estava melhor e sim porque, com certeza, precisavam de sua vaga naquela ala! No quarto, uma tristeza! Fora de si, vegetando, inchada pelo tanto de soro que recebia etc etc dos mais tristes. Fomos numa terça-feira visitá-la e de lá eu, meu marido e a Nice, nossa ajudante, fomos a Pinhal comprar mudas de tomate. Na volta, entramos na chácara do dr. Valim, quase na entrada de São João. Linda como sempre, lá vimos a Bielinha toda suja de pó, pois estava arrumando papeis e livros antigos do marido. Perguntou da tia e contamos sua situação. Ela disse: _Não tenho ido à Santa Casa, mas amanhã eu tenho que ir até lá, pois sou do comitê de morte materna; então passo lá pra ver a tia. Vou fazer uma oração que faço com os velhinhos do asilo sempre que lhes visito; corto-lhes as unhas; converso com eles, tão carentes; sempre procurando melhorar suas vidas e rezo com eles. Dia seguinte, à tarde, dando aula na Unifeob para a turma da Terceira Idade, eis que entra meu irmão, Clineu. Pensei gelada: _ Mamãe morreu! Não! Ele disse:_ Mamãe está no quarto; sentada na cadeira! Comendo! Falando! Normal! E dali em diante, curadas as escaras por ter ficado tanto tempo deitada, imóvel, ela foi melhorando, melhorando e viveu mais 9 anos! Até voltou a viver em sua casa em São João! Que oração mais milagrosa feita por uma pessoa do bem, simples ao extremo; sempre na surdina de ser esposa de um médico/político famoso e de personalidade tão marcante como foi o dr. Alfredo Valim. Sempre linda, de voz meiga, impecável ao se vestir; com seu cabelo sempre igual…Essa era minha querida prima, Bielinha. Teve 3 filhos: José Alfredo, Francisco Carlos e Elisa; 5 netas lindas e bisnetos!; noras especiais e um genro gentil que saia aos sábados para comprar-lhe “O Município” para que ela lesse a coluna dessa prima à qual ela tanto admirava! Meu tributo aos dois sanjoanenses que se foram; não sem deixarem um rastro de amor, amizade e luz!




