Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca
Um dos equipamentos para vinhos que eu menos usei até hoje foi uma bomba a vácuo, que uma vez ganhei “de brinde” ao assinar um novo clube de vinhos.
Essa bomba tem a função de retirar o ar da garrafa quando vamos guardá-la depois de aberta com a sobra do vinho.
E se engana quem pensou que eu pouco tenho a usado por simplesmente não sobrar vinho depois que abro a garrafa, mas sim pelo simples fato de entender que, mesmo com equipamentos que prometem bons resultados, vinhos tem sim vida limitada depois de abertos.
A bomba a vácuo foi uma das maneiras encontradas para aumentar a vida do vinho depois de aberto, porém não garante que este permaneça igual a quando a garrafa foi iniciada, pois o líquido já entrou em contato com o oxigênio.
É por esse motivo, que retiramos o ar de dentro dela com a bomba, ou ainda, se você é um consumidor mais assíduo de vinhos especiais e não quer abrir uma garrafa, temos um equipamento chamado Coravin, que possibilita a retirada do líquido sem a abertura da garrafa.
Agora se você é um apreciador de uma das melhores bebidas do mundo, mas não tem nenhum desses equipamentos em casa e ao abrir uma garrafa, sobrou uma quantidade de vinho que você não quer perder, não se preocupe! A depender do vinho, ele ainda o esperará por um tempo.
Para entender de forma simples quanto tempo cada vinho resistirá a essa espera, é preciso saber que isso está diretamente ligado ao seu processo de elaboração, a sua idade e até mesmo ao seu estilo.
De forma geral, um vinho mais jovem irá durar mais tempo aberto, se conservado em geladeira, do que um vinho com mais idade, devido ao tempo de oxidação da garrafa.
Por exemplo, entre um Cabernet Sauvignon 2017 e um 1997, é provável que o mais jovem se conserve melhor.
Mas como a idade do vinho não é o único fator que contribui para sua durabilidade, vale dizer que até mesmo para os vinhos mais jovens, a depender do seu estilo, sua vida útil será bem pequena.
A começar por exemplo pelos vinhos espumantes que são os mais sofrem com o tempo, pois rapidamente eles perdem a perlagem, aquelas borbulhas que tanto agregam qualidade ao vinho, até se tornarem um vinho tranquilo. Para estes, o ideal é consumi-los em até duas horas após a garrafa aberta.
Os vinhos brancos mais leves, em geral, não manterão seus sabores e aromas por dois dias, em contraponto, os brancos mais estruturados, que já tiveram seu tempo em barricas de carvalho, em sua grande maioria resistirão por até quatro dias, e essa mesma regra, vale para os roses.
Mas e os tintos? Ah os tintos!
Por conta das propriedades antioxidantes dos taninos presentes nos tintos, de forma geral, resistem por mais tempo.
Para alguns exemplos de vinhos tintos leves, conseguimos conservá-los em condições favoráveis por até cinco dias, e esse prazo sobe para até sete se falarmos de um tinto mais encorpado.
Ainda temos os vinhos de sobremesa, que contém mais açúcar e maior acidez, e que nos dão o privilégio de resistirem por até duas semanas na geladeira.
E por fim, os fortificados, que possuem maior concentração de álcool como o vinho do Porto por exemplo, são os nossos campeões de durabilidade podendo durar meses na geladeira. Embora, também percam gradualmente suas propriedades depois de aberto.
Apesar de alguns prazos estarem a nosso favor quando uma garrafa é aberta, essa corrida contra o tempo nem sempre é favorável, por isso, quando noto que não provarei novamente aquele vinho com a mesma qualidade do inicial, eu o aproveito para fazer pequenas pedras de gelo e utilizá-lo em alguma receita.
Essa é uma maneira inteligente de se cozinhar com bons vinhos e ao mesmo tempo, não os desperdiçar no seu auge.
E hoje, recém-chegada de um novo curso de champanhe, faço meu brinde final com uma taça deste elegante vinho, onde a perlagem resistiria em uma taça por algumas poucas horas, mas seria crueldade desperdiçá-la dentro de uma garrafa na geladeira. Um brinde e até A Próxima Taça.

