
CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
Andando pelas ruas de um bairro relativamente novo em São João, me vi pensando na velhice. Quer saber qual o parâmetro para medi-la? Ler os nomes de ruas e constatar que conheceu todas aquelas pessoas, devidamente mortas! Outra coisa são as dorzeiras infinitas que lhe permeiam o corpo: nuca, ombros, pés, joelhos, coluna… Mas, se for tomar remédio para remediá-las (essa foi triste, heim!) você ficará pior ainda, pois todos os medicamentos têm efeitos colaterais dos ‘brabos’, mesmo! Uma vez conversando com um primo que trabalhava num laboratório farmacêutico disse a ele que se lêssemos as bulas não tomaríamos remédio algum tal é o alerta sobre os malefícios. E ele me confidenciou que isso é uma artimanha dos fabricantes para se livrarem de possíveis processos. Ainda mais nos EUA que são o rei das associações e dos direitos. Por dá cá uma palha… vai processo em cima de quem fabricou! Pois é, se você sentir mal-estar, dores em algum órgão, náuseas … o laboratório dirá, com razão, mas sem muita ética: __Estava na bula; foi avisado! E acabou-se o que era doce até se você for diabético!
Mas, queixando-se da idade, das dores, do cansaço, das rugas, da solidão, do desamparo, da indiferença, da descrença e desconfiança dos da nova geração, ainda assim você estará ganhando e na vantagem dos que já se foram, os de sua geração, de sua prateleira que morreram cedo. E nosso cérebro capta o que dizemos: se não está cansado, ao ouvir isso, ficará! Se não sente dor; passará a senti-la e assim por diante. Pensamento positivo, gênio bom, alegria, fé em Deus, genética boa; hábitos sadios; bondade; trabalho; descanso; amor ao próximo e a Deus; paz; calma, autoestima em alta… são alguns dos segredos e pílulas da eterna (quase!) juventude de Ponce de Leon e sua fonte tão procurada que já rendeu muitos dólares no cinema hollywoodiano. E mais: não atentar para o que você não pode mais fazer e sim, para o que pode fazer ainda; tudo bem que há restrições; mas ainda sobra muita atividade prazerosa para se fazer depois dos ‘enta’!
Soube recentemente, mas ainda em bom tempo, que nossos neurônios morrem, o que é bem ruim; mas, e sempre tem um! Outros ‘desvios’ se formam para reestabelecer as sinapses nervosas, o que é muito bom! Aprender qualquer coisa nova e exercê-la incentiva isso; não paremos, pois, nunca! Constatamos que já não somos mais as mesmas pessoas que éramos, mas podemos ser outras, igualmente vivas e felizes.
Outro dia fui a um evento no Theatro e constatei que eu era a mais velha dentre todos que se achavam lá, no teatro cheio. Bom isso? Tristeza ou alegria eu deveria ter sentido? Alegria e plena! Afinal, ainda pude ir, sozinha, tive vontade, interessada em palestra que sempre fui; posso ver, (bem menos!); ouvir, (bem menos!); entender e apreciar (ainda tudo!)
De Bastos Tigre sobre a velhice:
Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.
Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas, lavra ainda e planta o teu eirado,
que outros virão colher quando te fores.
Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!
Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.
Lindo e significativo para todos nós, não?
E ainda nos resta a satisfação de saber que Papai Noel é bem idoso!…e atarefado!




