Ser jovem hoje em dia é ou não melhor que antigamente?

Marly Camargo

Cadeira nº 6 – Patrono: Mário Quintana

É sempre curioso observar a evolução dos tempos, especialmente quando se pensa nas mudanças de comportamento que acompanham o passar dos anos. Há quem diga que antigamente é que era bom, que os jovens de hoje não têm a mesma essência dos de outrora.

Na minha juventude, por exemplo, o senso de aventura parecia nunca se esgotar! A rua era nosso palco e cada esquina, uma nova descoberta. As conversas aconteciam ao vivo, sem o filtro de uma tela luminosa a interpor-se entre os interlocutores. Íamos a pé para a escola, no caso, o Instituto de Educação “Cel. Cristiano Osório de Oliveira”. Parecia que o sol da manhã aumentava nossa esperança de que as aulas seriam mais leves, sem tantas cobranças. E, realmente, os professores eram enérgicos, porém sábios e encantadores!

Lembro-me das aulas de Português, em que o grande desafio era não adormecer diante da poesia romântica ou das regras gramaticais, que mais pareciam um enigma a ser desvendado.

Atualmente, vejo que os jovens parecem ter mais familiaridade com os memes do que com as metáforas, e é mais fácil encontrá-los discutindo sobre séries de TV do que sobre Machado de Assis, mesmo que este ainda caia no vestibular.

As abreviações utilizadas em conversas de whatsapp –tbm, cmg, msg, vc—dificultaram sobremaneira o trabalho dos professores, pois se tornaram uma espécie de vício para estes estudantes. Por outro lado, é inegável que a juventude atual tenha um certo charme, bastante peculiar.

Se, no final dos anos 1980, o grupo musical Engenheiros do Havaí, cantava que “a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante”, percebemos que no século XXI, a introspecção tomou o lugar da euforia daquele tempo. Os dedos ágeis dessa juventude deslizam pelos teclados modernos, em mensagens de texto que –quem diria?– podem ser tão rebuscadas quanto um soneto de Camões. E que só são orais em mensagens de áudio.

Antes, bastava ter letra bonita e um caderno de autógrafos para ser considerado popular, ao passo que hoje em dia, o sucesso é avaliado pela quantidade de seguidores e likes que se tem no Instagram.

Não que a tecnologia não seja importante, mas, quando não tínhamos smartphones que nos guiavam pelo labirinto da cidade ou nos conectavam instantaneamente com o mundo todo, as amizades eram reais — sem avatares e likes virtuais.

Jovens de hoje, com seus fones de ouvido permanentemente encaixados, mergulhados em um oceano de playlists infinitas, têm olhos fixos nas telas. Mas, será que essa comunicação instantânea é verdadeira? Seja como for, a Língua Portuguesa continua sendo a ponte entre as gerações, embora, às vezes, pareça que jovens e mais velhos falem dialetos diferentes. O importante é que todos se entendam, nessa jornada de peripécias linguísticas.

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