Por Clineida Junqueira Jacomini
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Para meu leitor fiel J.P.B
Já me sugeriram esse tema; já escrevi, mas não esgotei porquanto é vastíssimo! Trata-se do que cada um de nós faz frente aos percalços; às benesses; à rotina do dia a dia; à modernidade insana de tudo que está por aí. Por exemplo: ao vermos uma coisa por fazer; a necessidade e problema de alguém próximo a nós o que devemos fazer? Pensar assim: não tenho nada a ver com isso; não é problema meu; não vou ser enxerido, nem xereta… Ou: sei como resolver tal situação; vou ajudar; sugerindo, fazendo, explicando… Difícil isso, não? Uma querida amiga acha que as novas gerações têm uma outra visão, mais egoísta; menos aberta aos problemas alheios. Criação? Modernidade? Juventude blue?
Não sei, nem imagino como será o futuro dessas novas gerações! Essa turminha que consegue tudo na hora; vê gente de outros países, quiçá de outros continentes, só não chegando, ainda a outros planetas! Aliás, retomaram as viagens espaciais chegando à Lua novamente, só que não os americanos, mas os chineses. Como vão reagir frente às negativas que nos acompanham vida afora? Como vão encarar a mínima contrariedade se, pelo celular parecem conseguir tudo? Eu mesma pago tudo pelos aplicativos; e o tal pix chegou para arrasar e ficar! Voltando ao passado, saudosista, na mediada certa que sou, vamos lá: As diferenças! Sou de 45 e quando menina, minha família já era avançadinha: meu avô mesmo morando na fazenda, construída por ele para se casar já tinha geladeira (colocada fora de casa, fechada, guardada meio longe a sete chaves por causa do ‘tal’ gás tido como venenoso. Mas que tinha, tinha.). Fogão à lenha com azulejos por fora; telefone (número 9) e várias inovações tidas ‘modernas’ para sua época (e ele morreu em 1921). Para se falar com a telefonista, dava-se uma rodada na manivela e ela lá de sua mesa na Prata, atendia. Aí era pedida a transferência para o número desejado, feita pela operadora, de dentro de uma parede de vidro. Agora voltando a ela, a telefonista que foi até tema de um filme da época da guerra. As chamadas interurbanas, para outras cidades, as de perto até que eram rápidas, mas para São Paulo ou Rio de Janeiro, eram muito difíceis de serem feitas e demoradas. Muitas vezes o dia todo. E não eram todas as pessoas que tinham telefone. Então apelava-se para os recados. E a molecada sempre passava por ali, no caso da Prata, na rua da Estação do trem e perguntava: tem recado? Porque ao entregar os bilhetes nas casas, poderiam ser agraciados com algum ‘dinherim’… sempre escasso para a criançada. Um caso engraçado com meu marido pilantra e molecão na década de 40/50: as telefonistas usavam muito a palavra inglesa que até já me rendeu uma crônica: o Okei ou OK. E meu marido então passava em frente ao posto telefônico, quando havia o rodizio de umas quatro ou mais funcionárias e gritava, imitando-as: _Oca, foca 2! Elas ficavam muito bravas! Teve uma que até saiu correndo atrás dele para dar-lhe uma coça! E conseguiu! Arte das crianças vivas sempre houve! O tal bullying também, só que não tinha esse nome, nem nome algum! Era ruindade infantil mesmo! A Bíblia nos diz que, para entrarmos no céu devemos proceder como crianças; mas que há uma ruindadezinha inata nos pequenos, isso há e sempre houve!
Voltando à comunicação. Hoje tudo é diferente e de uma rapidez realmente astronômica; sideral mesmo porquanto quando se digita algo isso tem que subir ao espaço e voltar para a pessoa a ser dirigida e isso em questão de segundos! Outro fato inconteste: todos têm acesso à Net e aos celulares. Eles entraram para valer e para ficar! Mas, sabemos o que ocorrerá aos nossos cérebros pelo uso insano e contínuo desse aparelho? Ele vive de ondas; e essas farão bem ou mal? Só Deus e o futuro nos dirá, se é que estarão com vontade de fazer isso. Sim, porque agora todos só fazem a sua vontade soberana mesmo sem serem Tudor, Bragança, Orleans, Aviz…




