Identidade Regional

Esses dias, conversando com um colega na universidade, ele me expôs uma linguagem do mercado de identidade regional que percebi o quanto isso é a raiz de um bom negócio. Pensei na viajem que acabara de fazer, no curto inverno na Serra da Canastra e vi o que é identidade de mercado. Os famosos queijos, que agregam a culinária mineira dentro do Parque Nacional, nos mostra adaptabilidade e sapiência mineira de entender o tempo, espaço e característica local em produzir.

Nossa região vem melhorando cada vez mais nisso. Temos um parque industrial saudável e um Agro rico, com o café, a batata, a cana, cebola, hortifrúti… e tantos outros produtos de pequenos e médios produtores. Pinhal, por sua vez, saiu em destaque na produção de uvas vinícolas. Agora, se tudo correr bem, São João pode assumir novamente como bacia leiteira. Gados pastejando pela nossa região, almejada junto às cidades vizinhas, como Serras Vulcânicas, parte de uma identidade regional já sendo trabalhada.  Esse apurado obtido nesses últimos dias, ouvindo reuniões do tema, somado ao que preconizo com minhas turmas de alunos, me gerou um entusiasmo e um saudosismo.

São João da Boa Vista tem forte presença em matéria humana na identidade de nossa região e até fora. Lembrei-me de nomes na medicina veterinária que transpuseram barreiras e trouxeram vanguarda aqui e no mundo, especialmente, na reprodução de bovinos e de equinos. Pessoas que são referências no meio: artistas que inovaram em detalhes em peças, especialmente em mármores, em telas a óleo, nos palcos da cena e,  principalmente, nos palcos dos acordes musicais. Secretários de Estado, desembargadores, médicos, enfim, pioneiros no imprint de identidade regional em muitas áreas e, com certeza, ainda faltam algumas! Colocaram aqui hospitais, faculdades, cursos técnicos, escolas e fomentaram todo crescimento que colhemos hoje.

O entusiasmo é saber que tudo provém de um recurso natural. Que nós temos aqui tudo que precisamos para fazer uma agropecuária de característica regional, com dependência mínima do externo, autossuficiente, com animais adaptados ao local, sem muita ganância sobre eles, manter uma relação harmoniosa de produção, sem forçar muito o metabolismo, sem exaurir a terra ou ter muita dependência a insumos, buscar ter selos artesanais, ecológicos e nada de “chegar o mio” às custas de caras dependências externas. Buscar sim, rentabilidade no valor agregado, sobretudo, no leite.

Pense no seu prato de comida! Imagine que tudo que esta nele foi produzido a menos de 50 quilômetros de distância. Imagina que o filho da pessoa que produz o que você comeu hoje, acabou de ter aula junto com seu filho e que a professora tem o pai que produz o requeijão e o iogurte que serviu de lanche. O agro é o que você come diariamente e, se estiver sendo produzido perto de você, ele é sócio ambientalmente correto, é harmônico, gera emprego e, principalmente, leva integralidade cultural, cria identidade. Deixa esse negocio de Agro Pop, exportações, produtividade, lucros para bolsa de valores para os economistas. Os valores estão nos pés sujos de terra, em contato com a natureza, com a vaca, com o homem do campo e da família que esta nela. Como escutei em uma das reuniões, precisamos de uma marca de leite e derivados DAQUI, entre outros produtos.

Plínio Aiub é médico veterinário especializado em animais silvestres

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here