Por Clineida Junqueira Jacomini
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Dia 15 comemoramos a Proclamação da República, em 1889. Aqui, proclamo que sou cronista! Dias atrás fui a uma escola falar sobre esse gênero literário tão polêmico e muitas vezes não entendido. Foi muito boa a interação com os aluninhos da quinta série, em plena puberdade, mas antenados no seu tempo. Afinal o que é a crônica? Vem de Cronos, o deus grego do tempo. Sim, esse inexorável e tenebroso tempo que passa célere, nos envelhecendo, deixando cheias de rugas, cabelos brancos, dores… Mas também de lembranças, sabedoria e experiência!
O convite partiu de minha querida amiga, colega e confreira Marly Camargo Fadiga, eterna e eficiente professora de Português, aposentada do Sesi e ainda atuante no Colégio Externato São João, antigo Santo Agostinho. Uma turminha de 64 alunos (as) interessados, de duas classes, perguntando e perguntando sobre mim: como me sinto; de onde me vem a inspiração; qual a crônica que mais gostei de escrever; se pretendo escrever um livro; se o que me motiva também motivaria outras pessoas; qual meu autor e livro preferido…..E, assim por diante, numa conversa informal quando eu ia tentando repassar a eles o que é uma crônica, suas características, diferenças da poesia, por exemplo …E assim as horas se passaram sem nenhum de nós sentirmos. Disse a eles que quando dava aula nunca pretendi que os alunos de quais graus fossem, aprendessem tudo o que foi transmitido; mas que queria que ficasse uma só coisa aprendida e apreendida, dentre tantas. Já me dava por satisfeita. Pedi isso a todos e esse retorno ainda virá pelas mãos da professora Marly. Se pretendo publicar um livro? Penso que não, pois três coisas me impedem: a impressão de um livro, (ainda que agora haja um meio mais barato de se fazer), é muito cara; não tenho dinheiro para isso; o brasileiro não gosta muito de ler; livrarias se fechando; livros on line, os modernos e books; e publicar livros vai mais para satisfazer o ego do autor que o interesse do leitor. Aí, D. Marly interveio e me desmentiu: seus alunos gostam, sim, de ler e muito! Trocam livros, comentam sobre os temas e curtem a velha e útil leitura em papel. Sobre meu estilo e inspiração disse que está meio (só meio!), difícil achar temas todas as semanas; então apelei para as efemérides: dia do dentista, do médico, dos mortos…. E assim vamos indo. Qual o meu estilo? Dado um tema, vou atrás, caso não saiba e ou tenha dúvidas; e tenho meu tom característico; até aconteceu um fato lamentável tempos atrás nesse meu querido jornal, pois saiu meu nome no texto de outro cronista, excelente, mas diferente e logo choveram e-mails e WhatsApps me perguntando o que era aquilo; não era a Clineida conhecida e lida por todos! Vamos, todos nós, ao longo da vida criando um personagem próprio, só nosso e ele tem sempre características únicas, muito pessoais e subjetivas! Não podemos fugir do que somos, pensamos, sentimos e escrevemos! Vivemos, enfim!
Adorei esse encontro e espero que tenha sido de alguma valia na vida desse futuro promissor que é um bom aluno numa escola boa e séria!




