Dizer que São João da Boa Vista é uma cidade abençoada é afirmar o óbvio, por diversas razões, incluindo a de ter em sua história um jornal centenário que agora completa 10.000 números. Para quem estuda história sabe quão importante são as informações presentes em jornais e revistas, porém, a grande maioria das cidades ou não contaram com jornais ao longo de sua história ou os perdeu com o decorrer dos anos.
O jornal O Município é um presente para a cidade e para aqueles que são apaixonados por história, com um riquíssimo acervo muito bem preservado, através do qual podemos estudar a cidade, sua gente e seus costumes. Tudo está registrado nas páginas do jornal, com algumas variações na forma a depender do período histórico e de quem dirigia O Município.
Nesse sentido, como falar do jornal sem falar daquele que foi não só o proprietário, mas também um apaixonado por ele e pela cidade, o saudoso dr. Joaquim Cândido de Oliveira Neto. Infelizmente ele não está mais entre nós para ver O Município atingir a edição 10.000.
Certamente se aqui estivesse comemoraria com todos que sabem da importância do jornal, que não é só uma fonte de pesquisa, como assinalado, mas também um veículo de informação e ferramenta pela luta de importantes ‘bandeiras’ no decorrer dos anos, podendo-se assinalar aqui algumas das mais recentes, como a duplicação da rodovia entre São João da Boa Vista e Aguaí e a luta por uma universidade pública. As mudanças ocorridas nos últimos anos do século XX e primeiros anos do século XXI fizeram com que muitos assinalassem a morte dos livros e dos jornais impressos.
Para nossa sorte, pelo menos até agora, ambas as previsões estavam erradas e o jornal O Município é mais uma provada disso. Grandes jornais do País fecharam suas portas, o mesmo ocorrendo em várias cidades do Brasil, mas o nosso hebdomadário sanjoanense continua registrando os fatos e a história em suas páginas, contribuindo como sempre fez para o progresso da cidade. Parabéns a todos que ao longo de mais de 100 anos e de 10.000 números permitiram que São João da Boa Vista contasse com um instrumento de incomensurável valor para a sua história e o seu desenvolvimento.

Rodrigo Rossi Falconi é médico e historiador




