De “influencers” e “influenciáveis”

Por Ana Lucia Finazzi

A Era Digital trouxe à tona um tema que, no passado, já foi analisado pela mente de escritores e pensadores: o comportamento humano sendo ditado por influência de hábitos e ideias alheias. Oscar Wilde, escritor, poeta e dramaturgo irlandês do século XIX, já naqueles tempos, debruçou-se sobre esta realidade, ao comentar que “influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais… Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele. O objetivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos…”.

Vivemos, hoje, em uma época em que a todo momento somos bombardeados pelas mídias e redes sociais. Tentam nos vender um produto, uma ideia e até mesmo um estilo de vida, como se fossem a fórmula para plena felicidade e realização pessoal. O chamado “influencer” é um profissional que produz conteúdo na internet, sendo capaz de influenciar a sua base de seguidores a partir do seu comportamento, demonstrando seu dia a dia, produtos que consome, forma de ver o mundo, background profissional e acontecimentos que tenham gerado popularidade para a pessoa.

Ele pode estar presente em uma, duas ou várias redes sociais. Essa escolha quase sempre é pensada após refletir sobre o público-alvo do influenciador. Uma pesquisa realizada pela plataforma Cupom Válido, com dados da Statista e da HootSuite, revelou que o Brasil é o País mais influenciado do mundo. Cerca de 43% da população afirma já ter feito alguma compra por conta da publicidade ou ação realizada por digital influencers.

Em um artigo publicado pela Revista Científica Multidisciplinar, Núcleo do Conhecimento (Ano. 07, Ed. 01, Vol. 05, pp. 05-33. Janeiro de 2022), revelando o resultado de um estudo de Psicologia com enfoque no comportamento dos indivíduos nomeados influenciadores digitais e seus seguidores, “O problema norteador fixou-se na questão: o que leva sujeitos a serem suscetíveis às mudanças de seus comportamentos mediante o comando de alguém desconhecido? Assim, o objetivo geral se concentrou em como ocorre a atuação dos influencers nos espaços virtuais e seu impacto no comportamento dos indivíduos que os acompanham. As hipóteses tiveram o pressuposto de que os influenciadores necessitam criar e manter conceitos de felicidade; para isto suscitam formas de se expor, com isso, muitos indivíduos, na sociedade contemporânea, estão desenvolvendo doenças psíquicas, devido a essa necessidade de exposição. Como método, a pesquisa se fundamentou na observação e análises de seis influenciadoras brasileiras do gênero feminino, nas faixas etárias dos 20 aos 25 anos e dos 35 aos 40 anos, observando seus estilos de vida, assuntos abordados e os comentários produzidos pelos apoiadores e haters (expressão estrangeira que define usuários na internet que propagam discursos de ódio). Igualmente foi efetuada a revisão bibliográfica para a discussão teórica sob a luz de alguns estudiosos para compreender e explicar esse fenômeno. Como resultados e conclusões, percebeu-se que muitas influenciadoras, seguidores e até mesmo os haters estariam em simbiose com o narcisismo, o medo da exclusão, invisibilidade e a busca pela plena felicidade. Por outro lado, foi possível detectar que outras influenciadoras produzem informações de acréscimo social de forma útil e positiva”.

A conclusão corrobora com o pensamento do estadista e líder militar francês, Napoleão Bonaparte: “A multidão procura o líder não por sua causa, mas por sua influência; e o líder vai recebê-los por vaidade ou necessidade”.

Outra observação, esta contemporânea, conclui de forma prática a questão, na análise da publicitária Denise Silvestre: “O caráter não se constrói pela influência dos outros sobre você, e sim pelo quanto você deixa se influenciar”.

Concluindo, cabe à sociedade, individual ou coletivamente, estabelecer o peso e à medida que a realidade merece pois, “ tudo te influencia, você se determina”.

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