Extremamente trabalhoso mensurar as espécies que vivem na natureza. Os pesquisadores se aperfeiçoam cada vez mais para levantar e catalogar os bichos. Mesmo já tendo levantado muitos mamíferos, aves, anfíbios e répteis, a maior classe dos animais são os insetos, chegam a mais de 1 milhão do grupo dos artrópodes. Dentre esses insetos, existem alguns que vivem no sistema de colônia (cupins, abelhas e formigas, principalmente). O Brasil possui uma das mais biodiversidades deste grupo que vivem em contribuição, trabalho e organização mútua, fazendo tudo para que a colônia prospere e mantenha os recursos.
Colocaram a nós, humanos, um sistema similar que procura colocar todos numa estrutura de trabalho e organização, mas com baixa colaboração. Trocamos o fazer para prosperar, para vencer individualmente. Uma baita confusão!!!
“Apesar de se ter tornado tão erudito, o homo sapiens não deixou de ser um macaco pelado, e embora tenha adquirido motivações muito requintadas, não perdeu nenhuma das mais primitivas e comezinhas. Na verdade, o homo sapiens andaria muito menos preocupado e sentir-se-ia muito mais satisfeito se fosse capaz de aceitar esse fato. E não resta a menor esperança de que venha a desembaraçar-se da herança genética que o acompanhou durante sua evolução” (Desmond Morris, O Macaco Nu, 1967).
Não parece mais sensato viver num sistema organizado ao redor de uma moeda. Tornamo-nos muito potentes, conseguimos transformações muito grandes para produzir e negociar. E, ainda assim, temos guerras, pobreza, ignorância rica e pobre e muito pouco do modelo “colônia” que os insetos vivem e que a moeda tenta nos imprimir. Viver em colônia exige desprendimento.
Mais fácil aceitar que somos o macaco pelado que Desmond Morres trata em sua obra e usar nossa inteligência para vivermos em grupos, não com o dinheiro na frente, mas sim com o propósito de cuidarmos dos recursos que o planeta nos oferece para que se mantenham nossas riquezas, que nos foram concedidas e que são para todas as espécies.
Que trabalhemos mais no modelo colônia quando tivermos o altruísmo e a organização focada na evolução do todo e não só do macaco pelado, já temos condições para isso, já temos inteligência para isso, essa história de milionários da tecnologia ofusca nossa essência. Acreditem, somos animais!! Claro que somos privilegiados por uma história teísta, motivo a mais para revertemos essa confusão de ser primatas abençoados por Deus tentando viver como formigas trabalhando em prol do dinheiro que não chega a todos da colônia.
Solte o macaco inteligente que vive em você! Ao aceitar sua condição o mundo será menos egoísta e a moeda dará lugar ao escambo internacional e não a globalização financeira e cruel.

Plínio Aiub é médico veterinário especialista em animais silvestres

