Falando de tênis com Albers Bernardes

Como em todas as áreas da vida, no tênis, chegar ao topo é tão difícil quanto manter-se lá.
Lembro-me bem de uma entrevista do sueco Mats Wilander, que no final dos anos 1980 havia chegado ao número 1 do mundo.
Na oportunidade, ele afirmou categoricamente que o período que passou no topo foi tão carregado de pressões que o fizeram envelhecer 10 anos em um ano.
O fardo de ser o melhor do mundo foi tão pesado que o fez iniciar uma queda de rendimento gradual que terminou com o encerramento da carreira pouco tempo depois, em uma derrota para o brasileiro Fernando Meligeni.
Na semana passada, duas situações me chamaram a atenção: o número 1 do mundo Carlos Alcaraz sofreu a segunda derrota dele em três jogos disputados na condição de líder do ranking, desta vez na estreia do ATP 500 de Astana, no Cazaquistão, sobre piso sintético.
O belga David Goffin, que entrou de última hora, marcou 7/5 e 6/3. Foi a primeira das 63 partidas em toda a temporada em que Alcaraz não ganhou ao menos um set.
BIA HADDAD
A brasileira Bia Haddad Maia, atual 15ª do mundo, também sofreu no WTA de Ostrava, República Tcheca.
Mesmo com vantagens abertas no começo dos dois sets disputados, a brasileira não passou da primeira rodada disputado sobre piso sintético coberto. A tenista caiu diante da ex-top 20 do mundo, a local Karolina Muchova, com parciais de 6/4 e 6/4 — Bia liderou por 2/0 no primeiro set e por 4/1 no segundo.
Outros dois casos recentes são o Belga Dominique Thiem e a japonesa Naomi Osaka, que após atingirem seus auges, sucumbiram às pressões vindas de todos os lados. Em ambos os casos, o medo de não conseguirem repetir os resultados anteriores, evoluiu para depressões profundas.
Os dois lutam para voltar e encontram enormes dificuldades. Realmente este esporte é muito mental e desafia os jogadores ao extremo.




