A minha São João

CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
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“A juventude é feliz porque tem a capacidade de ver beleza. Qualquer um que tenha a capacidade de ver beleza nunca envelhece.” Franz Kafka.

Não sei se sabem, mas sou nascida em São Sebastião da Grama, gramense, portanto. Mas, pratense de moradia e sanjoanense de coração. Desde meus 11 anos, depois de estudar na escola rural da Fazenda Santa Maria, em Águas da Prata, onde ainda moro, vim para São João fazendo um ano de admissão ao Ginásio no sempre lembrado Colégio Santo André das excelentes mestras andrelinas. Lá fiquei até me formar no Curso Normal, em 1963. Depois, no Instituto de Educação fiz um ano de Aperfeiçoamento e mais tarde o Curso de Administração Escolar, completando com a Pedagogia. Ah! e dando aula na minha querida UniFEOB para minhas amadas alunas da Terceira Idade depois de me aposentar na Graduação. Por que conto essa minha trajetória nas lides escolares? Porque São João me fez um ser humano “pensante, sentinte e aginte” —me desculpem os infames neologismos, mas tão meus e íntimos. Lembranças me ocorrem como a todos nós, mais velhos, sábios e vividos! Lembro-me, por exemplo, do percurso para o Colégio no Morris do seu Roberto Balestrim, e a pé pela Teófilo de Andrade, até quase o seu final, de onde as mocinhas de bem da década de 50/60 se desviavam pela existência, ali, das “casas das mulheres da vida”. Passávamos pela rua paralela, a da oficina do Adib. Lembro-me das cortes do Divino onde fui a daminha dos olhos fechados pela minha fotofobia e espirros quando olhava para o astro-rei. Das quermesses da Rosinha (no Perpétuo Socorro) e da Beloca, na Matriz, posteriormente Catedral quando veio à cidade o bispo mocinho, D. David Picão que tanta celeuma trouxe ao meio rural. Depois foi para Santos, dando lugar ao D. Tomas Vaquero.

Lembro-me da festa de sua chegada e da musiquinha composta para a data. Do Centro Recreativo só tenho a lembrança de sua reinauguração, quando fui com um vestido preto de crochê, bordado e com meu noivo, o Bi. Já da Esportiva, quantas lembranças, belas tarde ensolaradas usufruindo com os de minha geração da piscina olímpica existente até hoje! Do seu Narciso das belas festas e dos bailes de minha juventude. Do recital no Recreativo da divina Guiomar, tocando com singeleza e força, conforme a música pedia.

Nosso Hino Nacional de Golttschalk foi emblemático, inesquecível! Sobre o nosso maravilhoso, literal e acusticamente perfeito Theatro Municipal, escrevi sobre esse cenário de filmes, peças e eventos, quando de seu centenário e desse eclético lugar; da Semana Fica Fica aos inesquecíveis concertos da Semana Guiomar Novais. No escurinho das poltronas íamos assistir aos filmes; nas matinês, às 10h de domingo e às 4h; nas vesperais, quase sempre com filmes faroeste nas “tardes de domingos”, cantadas pelo rei Roberto e ponto presente de minhas colegas ‘grudadas’ na Jovem Guarda na telinha que fazia furor; a tevê em preto e branco e aqueles enormes tubos atrás. Agora estou me lembrando do footing entre os dois cinemas, o Cine Avenida, ora Pernambucanas e as paqueras! Que delícia! Mais recentemente a glória de assistir à nossa magistral Orquestra Jazz Sinfônica com músicos e maestros talentosos e dedicados, cujo prêmio são os aplausos sinceros e retumbantes que recebem a cada show. Sua designação de jazz é pela abertura que tem para tocar dos clássicos: Bach, Mozart, Strauss… aos nossos: Pixinguinha, Gonzaga, Adoniran…. O show Mulheres foi, anos atrás, inovador, porque só elas participaram; a partir da diretora Célia. Em março, mais shows! Comemorações dos aniversários antológicos desse jornal, mais que centenário, onde escrevo há mais de 20 anos, comandados pelo Clóvis Vieira e por minha amiga musical, Celia Bertoldo. Parece-me ver a figura risonha e plácida do Dr. Joaquim com a Vera, em seu camarote, admirando e reconhecendo todo o valor que a boa música e a história bem escrita têm, mormente nesses nossos tempos inglórios de pandemia, esquecimento, desmandos e delivery de pessoas, fatos e valores. Será que foi só e tudo isso minha história de amor com São João?

Muito mais poderia ser citado já que mora na minha lembrança de menina, mocinha, matriarca e idosa. Mas, paro por aqui, dando ensejo a que meus queridos leitores façam uso das suas, valorizando o que viveram. Continuem amando São João, tomando a água do Jaguari e ficando por aqui, terra de gente boa e musical. Ah!1- tirando as briguinhas dos meninos pinhalenses sempre às turras com os sanjoanenses, todos são tutti buona gente, já que a cidade tem suas raízes italianas. Ah!2- O título é uma homenagem às compositoras magnas da cidade: Lucila, D. Edvina e suas pupilas cantoras, minhas amigas de mocidade: Lucia, Elsa, Gloria, Beatriz…

E viva São João em seu dia, mês e ano!

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