De repente…

CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
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“O sentido da vida é que ela termina.” Franz Kafka.

Para a Mara Gizelda, pratense, lá em Canarana.

Esse é o nome de um filme hilário sobre uma adolescente que, de repente, se viu vivendo na casa dos 30. No fim tudo dá certo, não fosse o filme se passar nos EEU e produzido em Hollywood. Meu caso é diferente. À noite, quando os hemisférios cerebrais descansam e se invertem, nos vêm as ideias, a maioria boas; reflexões, lembranças, lampadinhas mentais acesas tal qual nos desenhos animados do pato Donald e sua voz rouquenha… Pus-me a pensar que, de repente…sou a única, ou quase! Pego uma foto de um boi caracu daqueles bem chifrudos que meu pai gostava e fotografava e penso:_ Qual seria o nome dele! Vou perguntar para o Clineu! Clineu já se foi! Queria saber por que tal lugar na região tem esse nome, muitas vezes estranho e enigmático. _Vou perguntar para meus primos. Todos já morreram! _Qual seria o nome do ribeirão que passa aqui na fazenda? Perguntar a quem, se sou eu a mais velha? Isso não é triste e não enseja a reflexões ainda que nostálgicas e reais? Minha mãe passou por essa situação. Era a única viva da sua irmandade; sua família toda já se fora; suas primas, idem, e ela era a última de sua ‘prateleira’ como brincava uma amiga minha de escola. Nossa prateleira vai se esvaziando e vamos ficando ímpares naquela longa fila de irmãos, primos, amigos, colegas, conhecidos… que já se foram, para sempre! E isso dói mais ainda! O “nunca mais” é muito triste! Não veremos, nem abraçaremos, nem conversaremos e outros tantos ‘emos’ tristes!

Sem ser mórbida ainda que falando em mortes, há dois tipos da ‘medonha’: a repentina, ataques cardíacos, enfartes fulminantes, acidentes vários…. O candidato a subir (ou descer!!!) da terra não sofre, a não ser uma dor que nunca será revelada a ninguém. Já outros padecem de doenças continuadas, que parecem não ter fim, acamando o doente e acorrentando os membros da família por meses e até anos afora. Na primeira situação, quem sofre com a repentina morte de um ente querido (ou nem tanto!), é a família. Coisa inesperada, pegando a todos de surpresa. Já no segundo cenário, quem sofre é o doente e para a família a morte é um alívio mais que merecido.

Em ambos os casos, a morte, ceifa o ser humano e toda perda é irrevogável e esperada/fim de todos nós.

Aqui em casa sou conhecida pela minha máxima preferida, quando algo se estraga, quebra ou some: _“Só não se tem jeito para a morte!” E minha sobrinha amada, ainda que postiça, citada lá em cima, um dia me complementou, sabiamente: _Tia, às vezes, a morte é o jeito!” E ela tem razão, pois, um ente querido, depois de 8, 10 ou mais anos em coma, imóvel, dando trabalho, com escaras, alimentando-se por sonda… Para os familiares, a morte é o único jeito e saída para uma situação lastimável e sem solução!

Tudo isso é anticristão, triste, desumano…, mas é a mais pura das verdades!

Daqui para frente, vou tentar transcrever os pensamentos do escritor tcheco Franz Kafka, famoso pelo seu livro: Metamorfose, mas maravilhoso em todos os seus pensamentos, divulgados agora pela Internet que dá acesso a todos nós às mais variadas áreas: filosofia, medicina, clima, política, economia…

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