Luta contra o Câncer

Por Ignácio Garcia
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Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 625 mil novos casos de câncer para cada ano do triênio 2020/2022. E, para marcar o Dia Mundial da Luta contra o Câncer, lembrado nesta sexta-feira (8), o MD, Ph.D. e mestre em Oncologia, Dr. Wesley Pereira Andrade, médico titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e também médico titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, traçou um panorama completo a respeito do câncer: entraves, conquistas e desafios para os próximos anos.

De acordo com o médico, a medicina avançou de forma surpreendente nos últimos 20 anos no combate ao câncer, fundamentalmente com o desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas, associado à vanguarda de novas tecnologias. E ainda, os métodos de imagens estão, cada vez, mais fidedignos, o que facilita a identificação mais precoce dos tumores bem como a relação destes tumores às estruturas adjacentes e permite um refinamento na abordagem cirúrgica.

Wesley Pereira Andrade: médico oncologista abordou os entraves, conquistas e desafios em relação ao câncer (Reprodução/mocbrasil.com)

Além disso, há uma produção de novos medicamentos inteligentes que agem no câncer sem danificar as células boas do organismo (terapia alvo dirigida). E ainda, a utilização da Imunoterapia, que pode combater o câncer de forma indireta, ao estimular o sistema imune a combater a doença.

“Uma vez que o câncer consiste numa série de doenças sob o mesmo guarda-chuva, não há nenhuma perspectiva da utilização de um único medicamento ou uma única modalidade de tratamento que possa eliminar ou combater todos os tipos de câncer ao mesmo tempo”, advertiu ele.

AVANÇOS

Entre as medidas preventivas no combate às neoplasias – cerca de 30% dos cânceres podem ser evitáveis com a alteração dos hábitos de vida que são: parar de fumar, parar de beber (ou reduzir ao máximo possível); praticar atividades físicas; ter uma alimentação saudável; combater a obesidade; e tomar alguns tipos de vacinas (HPV, hepatite B).

DIAGNÓSTICOS

“Além de podermos reduzir os riscos e evitar que o câncer apareça, podemos também atacar em outra vertente… diagnosticar, de modo mais precoce, por intermédio de exames como mamografia, Papanicolau, colonoscopia, PSA, tomografia computadorizada de tórax (este para os casos de câncer de pulmão nos tabagistas pesados) entre outros. Estes exames são fundamentais para a detecção precoce dos cânceres”, frisa o cirurgião oncologista.

ACESSO E DISPARIDADES

O câncer tem muita relação com a questão socioeconômica. Segundo o especialista, nos Estados Unidos, considerado um país rico, as pessoas não morrem por doenças infecto parasitárias, além de ter reduzido o número de óbitos por doenças cardiovasculares e, assim, a população tem envelhecido cada vez mais. Como o câncer tem a ver com o envelhecimento, temos um aumento na incidência de câncer nesta população. “Já em países mais pobres, onde a mortalidade se dá pela frequência de doenças parasitárias e desnutrição, consequentemente a população não atinge uma longa expectativa de vida e, dessa maneira, os índices de diagnóstico de câncer são bem menores”, afirmou.

“Câncer é uma enfermidade cara para se tratar. Dito isso, para aumentar os índices de cura é preciso ter acesso a médicos capacitados, a exames sofisticados e a tratamentos onerosos. Há uma grande disparidade no mundo como um todo no que se refere aos tratamentos e perspectivas de cura”, destacou o médico.

PREVENÇÃO

Conforme a opinião do oncologista, o câncer é uma doença com fatores modificáveis e não modificáveis. Entre os que não conseguimos interferir estão os processos de envelhecimento, as questões hormonais, idade do início da menopausa ou primeira menstruação, etc.

Entre os modificáveis estão: tabagismo (principal causa de morte prematura no mundo), ingestão de álcool, obesidade, alimentação inadequada, e alguns tipos de infecção (HPV – Papiloma vírus e hepatite B).

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