Por Clovis Vieira
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Alguns voos realizados por aeronaves que utilizam o aeroporto de São João da Boa Vista têm preocupado moradores devido à baixa altitude em que ocorrem sobre áreas urbanas. A prática, conhecida como voo rasante, pode representar riscos à segurança e é considerada uma infração às normas da aviação civil.

As reclamações chegaram ao administrador do aeródromo municipal, Carlos Eduardo Raffaeli de Sena, 60, piloto civil, que classificou a situação como “preocupante”. Segundo ele, aeronaves em sobrevoo sobre cidades devem manter altitude mínima de 500 pés, equivalente a 152 metros.
“Esse é um problema sério”, afirmou. De acordo com Sena, a fiscalização é dificultada porque essas ocorrências geralmente acontecem fora do alcance visual dos responsáveis pelo controle local.
Quando um voo rasante for observado, a orientação é anotar o prefixo da aeronave, identificado nas laterais da fuselagem, próximo à cauda, e também nas asas, e registrar uma denúncia junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), por meio do endereço ajuda.decea.mil.br. O relato pode ser feito pelo documento chamado Relprev, sem necessidade de identificação do denunciante.
“Aqui em São João, o que podemos fazer é tentar descobrir quem seria o piloto que está fazendo esses voos rasantes e conversar com ele”, completou Sena.
TRAGÉDIAS E ACIDENTES
A preocupação com voos em baixa altitude também remete a acidentes que marcaram a história do município. Um dos casos mais lembrados ocorreu em 29 de julho de 1977, quando uma aeronave de instrução caiu na esquina das ruas Getúlio Vargas e Silviano Barbosa, provocando a morte de duas pessoas, professor e aluno que estavam a bordo.
Segundo notícias publicadas por O MUNICIPIO na época, a aeronave teria apresentado problemas no motor durante uma possível tentativa de voo rasante. Após perder altitude, teria se enroscado na rede elétrica antes de cair. O instrutor morava a poucos metros do local do acidente. Seu irmão tentou socorrê-lo ao perceber a queda, mas não conseguiu salvá-lo. Na ocasião, o piloto atuava como instrutor no Aeroclube de São João.
Outro acidente envolvendo uma aeronave e a rede elétrica foi registrado há mais de 30 anos na região onde atualmente está instalado o Distrito Industrial. Conforme registros da época, o avião sobrevoava a área em baixa altitude quando teria atingido a fiação e caído. O piloto sobreviveu. A reportagem não conseguiu obter mais informações sobre o caso.
Mais recentemente, em maio de 2024, o piloto sanjoanense Guilherme Censoni, 44, ganhou destaque nacional após realizar um pouso forçado bem-sucedido no km 230 da Rodovia Adhemar Pereira de Barros (SP-340, já no perímetro urbano). Ele pilotava um Pitts Experimental, quando precisou utilizar sua experiência para concluir a manobra de emergência com segurança.




