Magia e dificuldade no ato de ensinar

(Divulgação/jornalbomdia)

”Só uma relação viva e responsável com o passado (história)
e com o futuro (utopia) nos torna solidários
com o destino da humanidade”. (Paolo Nosella).

Dante Moreira Leite fala sobre as relações interpessoais como tema “pouco tratado embora algumas dessas relações – como o amor, o ódio, a amizade – são aspectos fundamentais da vida humana”. E a palavra afetividade no dicionário Houaiss registra o sentido de respeito profundo à dignidade da pessoa.

Desde o nascimento aprendemos. Nosso desenvolvimento cognitivo, físico e emocional ocorre a vida inteira. Isso tudo envolve múltiplas habilidades, experiências e conhecimentos, abarcando os mais diversos sentimentos.

As relações interpessoais entre nós, professores, como presença, dialogando com pessoas que apenas circunstancialmente são alunos, nos desafia a sermos professores marcantes. O grande escritor John Steinbeck fala como eram seus professores inesquecíveis: “Eles não nos diziam o que saber: catalisavam um desejo ardente de conhecer. Sob sua influência, os horizontes de repente se abriam, o medo ia embora e o desconhecido se tornava conhecível. Mas, mais importante de tudo, a verdade, esta coisa perigosa, se tornava bela e muito preciosa.”

Embora vivamos atualmente a difícil situação de pandemia, a sala de aula continua a ser momento mágico da interação, pois tudo o que ali se vive é irreversível. Ali se aprendem ideias e fatos, atitudes, ideais e senso crítico. Afetividade e inteligência e como desenvolver a criatividade. Isso envolve muitos fatores. A educação pode ser um meio de informar o real, uma atividade que une inteligência, emoções e sentimentos.

Pensar nas implicações sociais é importante. A ligação com a sociedade é indispensável, ensinando/orientando atividades. Importante o estudante ver o papel transformador das criações na história humana.

Igualmente importante é mostrar a relação dentro da escola-fora da escola para compreender a história do país. Educação de qualidade para a construção da cultura brasileira sem exclusão de outras culturas, mas com domínio sobre sua influência.
Georges Snyders, no livro A alegria na escola, diz que a maior parte das crianças em situação de fracasso é das de classe popular e elas precisam ter prazer em estudar; do contrário, desistirão, abandonarão a escola, se puderem. Se não puderem, continuarão, mas não aprenderão muito. Quanto mais os alunos enfrentam dificuldades – de ordem física e econômica – mais a escola deve ser um local que lhes traga outras coisas. Essa alegria não pode ser uma alegria que os desvie da luta, mas eles precisam ter o estímulo do prazer. A alegria deve ser prioridade para aqueles que sofrem mais fora da escola. Sei que é um pouco utópico, mas de vez em quando é necessário sonhar. (…….) o mundo precisa, de tempos em tempos, de pessoas sonhadoras.

No livro Sobre o Amor, Leandro Konder registra que 23 filósofos, poetas, ensaístas e escritores escreveram sobre o amor para contribuir com estudantes de Educação, Letras, História, Filosofia, Jornalismo e outros. Ali ele aconselha a aproximação dos estudantes com grandes autores, “novos interesses, um novo quadro de referências e uma nova curiosidade”. O amor é o sentimento mais forte de que é capaz o psiquismo entre outros sentimentos e sensações, deliciosas ou dolorosas e assustadoras, medos e esperanças.
Podemos reconhecer que o amor desempenha um papel sutil ao incitar os seres humanos à busca de um mundo melhor e mais justo. (….) “Num plano mais abrangente (histórico-social)”, segundo o jurista Fábio Konder Comparato, “o amor desempenha um papel crucial: cabe a ele atuar como fator permanente de aperfeiçoamento das leis, dos princípios, dos valores universais. Como fator de permanente aperfeiçoamento da justiça.”
Para finalizar, lembremos Philippe Meirieu sobre nosso futuro como professores: “Tornar-se professor é, de fato, investir no futuro. Seria realmente um grande equívoco perder as esperanças no futuro quando na verdade todo nosso trabalho consiste em convencer cada aluno de que, contra qualquer fatalidade, existe a possibilidade de um futuro diferente para ele. (…) Os professores não têm futuro. Eles são o futuro”.

Maria Eugênia Castanho é doutora em Educação e titular do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

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