Mesmo que o homem já tenha mostrado o quanto o planeta Terra é azul, verde e lindo, existem dúvidas a respeito, tanto de sua forma, como de sua “saúde”.
Invertemos como convém. Mas, em matéria de valor não há dúvidas! Temos um valor patrimonial e um valor financeiro em jogo. São esses valores que costumamos inverter. Começamos pela maior afinidade do nosso pedacinho Brasil aqui na Terra, abençoado como somos, temos o melhor terreno de cultivo para alimentos. Desde o acordo agrícola, tudo conspira positivamente para o setor de produção agropecuária: clima, terra, território, água e geologia estável. Este é o valor, este é o pote de ouro da nação mas… a Terra é de ninguém, Ela é dela. É um patrimônio universal. Os atuais detentores de escrituras são sim, passageiros e tutores legais de pedaços cercados e delimitados de terra. Porem, em questão de cem há duzentos anos, já trocaram de tutores (duzentos anos é um relâmpago de tempo no espaço). Portanto, o pertencer é temporário. Ela é do espaço. Se juntarmos um brasileiro, um americano, um europeu, um asiático em um foguete e mandarmos olhar para traz ao chegarem na lua e, perguntar onde cada um mora, todos apontariam para Terra. Ela é maior que continentes, países, estados, municípios, cercas… Ela é o nosso lar.
Portanto, esse é o valor. Um valor universal.
Se o planeta foi criado por Deus, pelo Universo, pela Física, não importa. É o planeta em si a questão do valor. Ele tem um valor cósmico que ultrapassa a pequinesa de qualquer uma nação. Não importa se a nação é mais rica ou mais pobre, estão todas na mesma jangada.
E, assim é com as demais espécies vivas do planeta. O esquilo é tão importante quanto à baleia. Se na Terra tem neve, deserto, floresta, manguezais, lavouras, vemos nitidamente que não é só, o primata sem pêlos de inteligência avançada, a única espécie a se alimentar e perpetuar. Há uma explosão de vida no planeta que estão absolutamente interligadas com ações e reações. Portanto, comida é para todos os seres viventes, não é commodities; riqueza não é dinheiro acumulado, é distribuído para todas as espécies; produção não é quantidade, é qualidade; produto não é matéria-prima, é beneficiamento com valor agregado; pujança do agro não é fazenda modelo de produção, é fazenda equilibrada com floresta, rio, fauna e lavoura com gente no campo, é segurança alimentar local e regional.
A inversão está no agronegócio voltado apenas no valor daquele produto ou daquele setor, nas toneladas exportadas sem ter o produtor médio e pequeno ocupando o campo. O valor está no planeta e naquilo que o compõe. Transformar capacidade produtiva em porcentagem do PIB é inversão, cuidar para que o planeta continue verde, azul e lindo com todas as espécies pertinentes a cada continente, é valor. Ver a vida efervescer em sua diversidade e com aquela energia que o nosso planeta ainda emana, é patrimônio, é riqueza.
Deveríamos querer que na vida: tenha o leite da vaca mas que sobre uma teta para o bezerro, que tenha um bife na mesa mas ver o boi viver bem no pasto com sua família, comer um prato colorido e que a cor seja natural onde, quem o produziu esteja com o “pé sujo de barro”, ter o trator com o nome diferente do tupiniquim revolvendo o solo mas que ele seja pilotado por um sistema mais humano e partilhado no seu entorno, comer produtos gostosos sem precisar de tantos plásticos e conservantes para que sejam distribuídos mundialmente com várias marcas e receitas.
Um milho, assado, cozido, na pamonha ou no curau, está ótimo.

Plínio Aiub é médico veterinário

