Dia dos pais

Caiu para mim, nessa semana essa efeméride: os pais. Como em tudo, há pais e …pais! Uns bons, presentes, amorosos, inesquecíveis quando se vão; exemplos para todos, principalmente para seus filhos. Já há outros que nem tanto. Minha mãe não parava de citar um diálogo do livro “Um dia voltaremos” de Lasinha L. Brito sobre a época do bandeirantismo paulista. Ali se lia: “Para o homem, um filho foi somente um momento de prazer”. Já para a mulher, é um apêndice para a vida toda! (essa última frase é minha!). Não existe instinto paterno. Entre os animais, o filho mais tarde se torna um competidor para o pai. Há, sim, e um dos mais fortes, o instinto materno que torna a mulher/mãe uma guerreira que luta até à morte por sua prole. De um amigo li dias atrás sobre o desamparo de nossa velhice. Respondi a ele, jocosamente que, para mudar isso tínhamos que amendoar os olhos, usar quimonos e não falar o uai bem minerim. Mas, não me referi somente aos mineiros e à bela MG. O brasileiro, de um modo geral, não cuida bem de seus pais e idosos. Não lhes presta atenção; se moram separados ou em asilos, as visitinhas são rápidas, por mera cortesia mesmo e o que é deplorável: não curte a experiência valiosa da maturidade e velhice. É claro que um dia mais dia esses conselhos serão invalidados pelo dr. alemão, se ele chegar. Já os povos orientais são um exemplo de veneração e respeito por seus idosos. Eles têm um lugar bem reservado nos lares e no coração dos filhos. Todos conhecem aquela historinha sobre o pai que ao ser levado pelo filho para um asilo reparte sua manta e a dá ao filho com a recomendação de que a use quando for deixado pelo neto, um dia, sina genérica na nossa sociedade hostil para com os mais velhos. Nessa nossa vida incoerente há ‘de um tudo’! como dizem aqui na rocinha. Há jovens que se tornam pais muito cedo; todos acham que o casamento não vai durar; que essa precocidade não dará em nada e o destino desmente a todos. São ótimos pais; o casal se ama para sempre; a cumplicidade é constante, alimentando os laços que, de início, pareciam tão frágeis. Há outros casais cujo enlace foi programado; elaborado, planejado nos seus mínimos detalhes, tendo tudo para dar certo e tudo se desmorona e logo! Como em tudo na vida, há casos e casos. Generalizar é errar. Radicalidade só nesses nossos tempos de pandemia, politicagem, ódios, depressão e falta de humanidade e paciência para com o próximo. Seriam o isolamento e o medo de morrer que fizeram os homens tão hostis? Está demais da conta!

O certo é que a morte é certa, seja vinda na mocidade ou na velhice. Há um célebre ditado árabe: “Quem planta tâmaras, não come tâmaras!” Espantamo-nos com essa incoerência, mas explicável: para produzir, uma tamareira demora mais anos que qualquer vida humana. Seus frutos deliciosos só serão aproveitados pelas gerações futuras. Então, um pai também tem que ser previdente (ou até mesmo egoísta!) ao tratar bem seus filhos, para ser amado e bem cuidado na velhice. Encerro com esse poema de Bastos Tigre:

Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.
Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher quando te fores.
Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!
Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.

CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
[email protected]

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