
CLINEIDA JUNQUEIRA
Para os meus netos Max, Bella, Natalie, Sophia, João Gabriel e Ana Laura!
Conhecem? Minha filha quem me contou. Achei muito sábia e interessante e não menos real essa história. Transcrevo-a, pois.
Num lar estruturado, raridade hoje em dia, o casal sempre procurava dar exemplo, ensinar e cobrar do filho nas coisas mais simples, rotineiras. Arrumar a cama, escovar os dentes, fechar a pasta e a torneira; pegar as coisas do chão; jogar lixo no lixo; apagar a luz ao sair do cômodo; e os aparelhos, idem, quando não estivessem sendo usadosetc.etc. dos mais reles e cotidianos. O filho já não aguentava mais! Anos e anos a mesma mesmice e ordenanças! _Escovou seus dentes? _Fez sua lição? _Desliga esse celular! _Apague essa luz e durma! _Já é tarde e amanhã tem aula….Coisa de boa mãe e alguns pais rs rs.
Quem já não viu esse filminho chato? Pois é! Ao completar 18 anos o filho se decidiu… e despediu: _Vou sair de casa! Vou arrumar um emprego, estudar à noite e morar sozinho! Quero ver quem vai encher minha cabeça e esgotar minha paciência! Serei livre, leve e solto!
Os pais concordaram. Fazer o quê com cabeça de moço- passarinho que já quer voar? (mesmo sem a penugem completa!!!)
Logo que se ajeitou numa pequena quitinete (pleonasmo! qual é grande?),mandou seu currículo raso e fino a váriasfirmas. Pretendia a área de informática, forte que era, assim como os jovens de sua ‘geração das máquinas’. Também se inscreveu num cursinho (o pai se ofereceu para pagar por um ano esse complemento tão necessário do segundo grau).
Depois de alguns dias de encantamento e total liberdade, sentindo-se, realmente, muito bem sozinho, recebeu a ligação de uma grande empresa. Era para marcar um horário para uma entrevista de emprego. Ele seria devidamente arguido, examinado por uma banca de executivos muito exigentes, contou-lhe um conhecido que já tinha passado por isso e trabalhava lá. O tal gostava bastante do emprego, ganhava bem, mas era muito cobrado.
Marcada para as 9 h, antes do horário, precavido que era, pois aprendeu a ser, lá estava Nelson Jr. para a entrevista. Mas, seu dia começou mal. Logo no portão, a lingueta da fechadura estava solta, caída e ele não conseguiu entrar. Enganchou a danada no lugar correto, experimentou e deu certo. O portão se abriu e ele entrou. No pátio deserto, ele viu uma torneira pingando e uma mangueira atrapalhando a passagem. Enrolou a dita e a colocou no devido lugar. Fechou a torneira e prosseguiu. Em frente à porta, o tradicional tapete Bem vindo estava virado ao contrário. Acertou. Numa área coberta estavam várias cadeiras espalhadas, sem muito nexo, pois estavam longe das mesinhas. Aquilo o incomodou! Colocou 4 cadeiras em torno de cada mesa e ainda desligou o ventilador ligado sem ninguém por ali. E, quando ia prosseguir, se dirigindo para uma porta com cara de principal, foi surpreendido por um homem, já maduro, parecendo ser chefe que lhe falou:_ Quando você pode começar, Nelson? _Me desculpe, senhor, mas está enganado! Ainda não fiz a entrevista! Não fui chamado ainda, apesar de estar dentro do horário.
_Você é quem está enganado, meu caro jovem. Desde que chegou, foi observado através das câmeras espalhadas desde a calçada e suas atitudes educadas e corretas o habilitam a trabalhar em nossa firma. Desculpe não ter me apresentado: Sou Walter Ambrose, diretor e proprietário dessa empresa. Seja bem-vindo!
O rapaz não cabia em si de tão contente. Acertou tudo para começar na manhã seguinte e voltou correndo à casa de seus pais.
_Pai! Mãe! Muito obrigado! Estou empregado e começo a trabalhar na firma W&A, aquela famosa! E devo isso a vocês e sua dedicação e persistência ao me ensinar e insistir em minha educação. Obrigado! Começo amanhã meu segundo ciclo de vida!




