Bola rolando, gente morrendo

O futebol não é mais importante que uma única vida humana. Mas, responsáveis pelas competições no País, talvez, pensem diferentes. Atitudes dessas instituições e de alguns clubes levam a crer que o esporte é tão importante quanto uma vida.

Mesmo com o colapso no sistema de saúde brasileiro, a Copa do Brasil continua acontecendo com clubes viajando de norte a sul, correndo risco de pessoas serem infectadas com a Covid-19.

Em São Paulo, o Ministério Público recomendou ao governo a paralisação do Paulistão, acatada pelo Estado. Entretanto, a Federação Paulista insiste em não aceitar a pausa no campeonato por duas semanas e tenta convencer autoridades de que é seguro realizar jogos em território paulista, região do País que tem mais de 90% dos leitos de UTI ocupados e gente morrendo em fila de espera.

Raiva e tristeza tomam conta de mim quando vejo tais atitudes desesperadas de ganhar dinheiro sem se importar com nada ao redor. Ou não é isso que está acontecendo?

Em 2020, o futebol brasileiro parou por causa pandemia. Pensávamos que o País estava próximo do pior momento da crise. No cenário atual, em comparação com a paralisação do ano passado, a situação é incontavelmente mais crítica. São quase 300 mil mortos.

Futebol não está em uma redoma e, não é, e nunca será, mais importante do que a saúde da população. Os jogadores fazem testes antes dos jogos, revelando que muitos acabam contraindo a Covid (poderia citar vários exemplos aqui). Outro fato é que eles são saudáveis e conseguem superar a doença com facilidade, mas o poder de transmissão, ainda mais com as variantes, pode fazer com que outras pessoas peguem o vírus de algum jogador.

O Brasil vive seu pior momento e todos estão se sacrificando de alguma forma. Infelizmente é a nossa realidade. Enquanto a vacina não estiver disponível para todos, não se deve ter competições coletivas.

 Weslen Máximo

weslenmaximo.[email protected]

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