A ressurreição da Lusa

Um título no ano do centenário, o da Copa Paulista em dezembro, habilita a Portuguesa de Desportos a retornar ao Brasileiro da Série D após quatro anos de ausência em torneios nacionais. Clube de origem lusitana, que transmite simpatia aos torcedores das demais agremiações de São Paulo, atualmente disputa apenas a Série A2 estadual.
Fundada em 14/08/1920 como Associação Portuguesa de Esportes, da fusão entre Luzíadas FC, Portugal Marinhense, Associação 5 de Outubro, AA Marquês de Pombal e EC Lusitano, filiou-se à APEA em setembro daquele ano. Sem tempo hábil para a inscrição no Campeonato Paulista que se aproximava, fundiu-se ao Mackenzie College adotando o nome Portuguesa-Mackenzie. Em 1923 a Lusa desligou-se do parceiro e, em 1940, recebeu o atual nome de Associação Portuguesa de Desportos.
Nos primeiros anos o time atuava em terrenos nos bairros do Cambuci, Ipiranga e Largo São Bento, participando ativamente da fundação da Federação Paulista de Futebol. Em 1951, o presidente Mário Augusto Isaias levou o clube a uma excursão, trazendo da Europa a primeira Fita Azul, título concedido aos que conseguissem mais de 10 jogos invictos no exterior.
A partir da gestão de Luiz Portes Monteiro, em 1956, a Portuguesa adquiriu – por 35 milhões de cruzeiros -, o atual espaço do Canindé, que havia sido utilizado pelo São Paulo FC e vendido à família Whadi Sadi. Desde então se tornou uma verdadeira fábrica de craques. Djalma Santos, Julinho Botelho, Pinga, Brandãozinho, Félix, Ivair, Leivinha, Marinho Peres, Enéas, Dener e Zé Roberto são alguns exemplos.
Duas grandes finais marcaram a história futebolística da Portuguesa. Em 1973 decidiu com o Santos de Pelé o Paulista, jogo que levou 130 mil pessoas ao Morumbi. O título foi dividido entre ambos, após 0 a 0 no tempo normal e um erro do árbitro Armando Marques na contagem nos penais decisivos. A outra foi o vice-brasileiro em 1996, após duas partidas memoráveis contra o Grêmio: vitória por 2 a 0 no Morumbi e derrota em Porto Alegre pelo mesmo placar.
Que a “Lusinha do Canindé” tenha, a partir de 2021, novamente dirigentes envolvidos com sua tradição e o clube retome o epíteto de um dos “grandes” da capital e do futebol brasileiro!

 

Leivinha Oliveira
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