“Gol, gol, gol”. O momento máximo do futebol era assim caracterizado nas transmissões dos anos 1960, 70 e 80 por Orlando Duarte, o ‘Eclético’, que infelizmente nos deixou dia 15 último. Aos 88 anos, foi consumido pelo Mal de Alzheimer, desde 2018, e também por ter contraído a Covid-19.
Orlando Duarte Figueiredo nasceu em Rancharia (SP) no dia 18 de fevereiro de 1932. Versátil e inteligente era um dos mais completos cronistas esportivos do Brasil, deixando saudades dos tempos em que trabalhou nos jornais A Gazeta Esportiva, A Gazeta, Mundo Esportivo, A Gazeta Esportiva Ilustrada, O Tempo, Última Hora e Diário da Noite, além de comentarista das rádios Bandeirantes, Jovem Pan, Trianon e Gazeta, mesma tarefa desempenhada em canais de televisão – nos quais também era narrador – como a TV Cultura, Jovem Pan UHF, SBT, Globo, Bandeirantes e Gazeta.
Escreveu 34 livros sobre esportes, cobriu 14 Copas do Mundo (entre 1950 e 2006), dez Jogos Olímpicos e competições das mais diversas. Porém, o que mais marcou sua brilhante carreira foi, nos anos 1960, ser o jornalista responsável por cobrir presencialmente o magistral time do Santos Futebol Clube – pelo país e em excursões no exterior – fato que o proporcionou ser amigo pessoal de Edson Arantes do Nascimento, Pelé, de quem escreveria a biografia oficial anos depois. Além desta magnífica obra, publicou outras sobre histórias Olímpicas, dos Mundiais que presenciou e do chamado Trio de Ferro da capital paulista, São Paulo, Corinthians e Palmeiras.
Orlando Duarte me contemplou, na infância, com as transmissões (tarde da noite) em vídeo-tapes – não existiam jogos ao vivo, como hoje -, fazendo com que minha paixão pelo futebol se tornasse mais evidente. Com ele aprendi a essência do esporte e o envolvimento na carreira jornalística. As palavras sábias daquele gênio da escrita e do microfone me seduziram.
A linda carreira deste mestre da memória esportiva, com mais de 50 anos de profissão nas mídias impressa, radiofônica e televisiva, fosse como locutor, comentarista e chefe de redação, infelizmente teve que ser interrompida após a Copa de 2006, na Alemanha, devido à saúde debilitada. Somente em fevereiro de 2019 sua esposa, Conceição, revelou que ele sofria da doença de Alzheimer, que deu sinais após a Copa do Mundo de 2018. Uma perda lamentável!

Leivinha Oliveira
[email protected]

