Para decepção de sua imensa torcida em Minas Gerais e por todo o país, o Cruzeiro Esporte Clube, prestes a celebrar o centenário – fundado em 2 de janeiro de 1921 – vive o drama de disputar a Série B do Brasileirão vítima de péssimas administrações anteriores. E na parte de baixo da tabela. Para se livrar desta incômoda posição a diretoria contratou o experiente treinador Luís Felipe Scolari, o Felipão, e o time deu sinais de reação nas últimas rodadas.
Na metade da década de 1960, com uma mescla de jogadores experientes e garotos que emergiam das divisões de base, o Cruzeiro encantou o Brasil com um futebol refinado, de toques envolventes, que geravam gols em profusão e títulos. Um deles lembro bem, foi sobre o Santos de Pelé pela antiga Taça Brasil de 66, quebrando a hegemonia de cinco conquistas sucessivas do Peixe. Foram duas vitórias marcantes nas finais: 6 a 2 no Mineirão e 3 a 2 no Pacaembu. O time-base tinha Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira, com a orientação de Ilton Chaves.
Dez anos depois, em 1976, outra grande equipe montou o Cruzeiro. Raul, Nelinho, Moraes, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim (Roberto Batata); Jairzinho, Palhinha e Joãozinho, com a orientação de Zezé Moreira. Esta formação levou o time à final da Libertadores contra o River Plate, no Estádio Nacional de Santiago do Chile, vencida pelos mineiros por 3 a 2. Com o direito adquirido, a Raposa foi à decisão do Mundial de Clubes diante do poderoso Bayern de Munique, perdendo por 2 a 0 na Alemanha e empatando no Mineirão em 0 a 0. Um vice muito comemorado!
No primeiro semestre daquele ano de 76, me recordo de ter acompanhado este esquadrão do Cruzeiro atuando em Poços de Caldas, contra a Caldense, pelo segundo turno do Campeonato Mineiro, numa das últimas partidas que superlotou o hoje demolido Estádio “Christiano Osório”. Naquela noite de quarta-feira, a Veterana conseguiu a proeza de bater o time da capital por 2 a 1, de virada. Jairzinho – o Furacão da Copa de 70 – abriu o placar para a Raposa, Augusto e Ailton Lira (em cobrança de falta) deram números finais ao placar.
A título de curiosidade, a Caldense teve em campo naquele dia histórico o goleiro Walter Tambaú, Luis Dário, Buzuca, Neto e Wilson Botão; Arnaldo (Jeremias) e Ailton Lira; Augusto, Cafuringa, Jota Lopes e Ganzepi. Que o Cruzeiro volte aos dias de glória e retome o caminho das vitórias!

Leivinha Oliveira
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