Em tempos com carência absoluta de craques, aqueles que se tornam referência eterna no futebol pela genialidade – à exceção de Messi, contestado em alguns quesitos – nos despedimos esta semana da lenda Diego Armando Maradona Franco, aos 60 anos, de parada cardiorrespiratória, reflexo das controvérsias da vida paralela ao esporte. Pela comoção que tomou conta de Buenos Aires e a impressionante manifestação do povo argentino no velório realizado na Casa Rosada, toma-se a medida do que ele representou para os portenhos, a exemplo do que também o foram Carlos Gardel e a família Perón.
Senti isso de perto no início do ano, em viagem à Argentina. Entre as inúmeras atrações turísticas de Buenos Aires, visita aos estádios do River Plate e do Boca Juniors são imprescindíveis a todos os turistas, pelo carisma destas agremiações na América do Sul e em termos globais.
La Bombonera, no entanto, exala um clima todo especial. Quando você se aproxima daquele palco mítico do futebol pelas vielas estreitas de La Boca, se depara com pequenas lojas de materiais esportivos cuja principal referência é, pendurada em lugar estratégico, a carismática camisa 10 de Maradona. Um fenômeno de vendas. A paixão dos “xeneizes” pelo ídolo é fato comprovado, mesmo após 23 anos sua despedida dos gramados. Mas não é apenas ali, em região carente da cidade, que Dieguito é veneração. Mais abastecida financeiramente, a do River também o idolatra, num simbolismo singular em torno daquela figura mística, verdadeiro Deus. Seria o mesmo que a torcida do Corinthians idolatrar um atleta do Palmeiras, e vice-versa.
Para nós, brasileiros, Pelé foi muito superior. Verdade incontestável. Se compararmos os principais fundamentos do jogo em si, títulos e total de gols marcados, o Rei está cima de qualquer análise mais criteriosa. São estilos diferentes. Se Maradona foi um individualista em potencial, Pelé encantou pela versatilidade na tomada de decisões.
“El pibe de oro”, infelizmente, foi derrotado por si próprio e seus demônios. Tudo nele foi excessivo. As drogas interromperam uma das mais belas histórias que os amantes do futebol conheceram, especialmente pela comprovação de doping em plena Copa do Mundo, a de 94, fato que veio a precipitar o final de carreira de um gênio puro, capaz de driblar meia seleção inglesa para marcar o “Gol das Copas” no Mundial de 1986.

Leivinha Oliveira




