A vida social, estudantil e esportiva fervilhava na São João do final dos anos 1960, especialmente por abrigar uma juventude amiga, saudável e inteligente. O Palmeiras, na época, com o intuito de proporcionar aos associados opções de lazer em igualdade com a Esportiva e o Centro Recreativo, resolveu inovar com as inesquecíveis Brincadeiras Dançantes, Os Festivais, os Bailes Havaianos e os Campeonatos de Futebol de Salão.
O primeiro torneio do agora futsal teve início em dezembro de 1969, com 20 equipes e aproximadamente 200 jogadores. Com meus 15 anos fui o mais jovem a participar da competição, pelo Reio Futebol e Samba, com autorização de minha família, menor de idade que era.
Na época nossa roda de amizades frequentava o Bar do Efraim Nogueira, a poucos metros da sede alvinegra, local de fundação do Reio em 19 de dezembro, dia exato do Torneio Início da competição. Montamos, às pressas, um time improvisado com Neno Quessa, Joaquim Noronha, Sidnei Corsini, Homerinho Mollo e Gilvan Silveira. Sabíamos, no entanto, que era preciso reforçar para o certame que se aproximava.
Com as inclusões de Maurício Janisello, Rubens Pamplona, Mário Carneiro e Maézinho, sob a orientação técnica de João Pranuvi, chegamos a vice-campeões entre times de enorme potencial, perdendo o título para o Bandeirantes de Evandro, Negê, Miguel Jacob, Paulo Merlin e Gilberto Petinatti. A final levou à sede social do Palmeiras o maior público de sua história e teve as transmissões da Piratininga local, Cultura de Poços de Caldas e Pinhal Rádio Clube.
Com o fechamento do Bar do Efraim, o pessoal do Reio migrou para o Canecão, o número de adeptos aumentou, surgiu uma forte equipe de futebol de campo e, em paralelo, reluzia a famosa Escola de Samba que se destacava em Carnavais e Festivais de MPB. O futsal, por sua vez, se profissionalizou com a chegada do treinador Foguinho.
Foram sete anos neste ritmo frenético, que literalmente travava o trânsito da Dona Gertrudes aos domingos à noite, após o futebol da tarde na zona rural. O samba transbordava e, em meio àquela alegria contagiante, entre os habituais frequentadores, um em especial chamava a atenção: Dom Tomás Vaquero, bispo diocesano, agora com processo de beatificação em andamento. Ao deixar as missas domingueiras na Catedral, sua presença era praxe no Canecão para um abraço fraternal na turma. Grandes e inesquecíveis momentos.

Leivinha Oliveira

