Clientes denunciam autoescola por suposta irregularidade

Via crucis: alunos reclamaram da demora por informações e para receber documentação (Reprodução/Internet)

Diversos alunos de uma autoescola estão percorrendo uma verdadeira ‘via crucis’ para poderem obter a tão sonhada Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O problema veio à tona na última semana, por meio de uma postagem nas redes sociais. Segundo relatos, diversos clientes teriam pago a empresa, feito as aulas e exames e, mesmo assim, ainda estariam com problemas para obter a documentação. Além disso, rumores apontavam que a empresa estaria encerrando seu atendimento na cidade.

Preferindo o anonimato, um dos alunos conversou com a reportagem do jornal O MUNICIPIO e contou seu drama. “Eu vi o anúncio de uma promoção no Facebook em julho do ano passado, mas não falava valores, apenas que era mais barato. Como era meu sonho tirar carta, fui sem pesquisar o histórico da autoescola. Inclusive chamei minha irmã, que convidou mais duas pessoas também”, disse. “Fui lá no dia 19 de julho do ano passado e tinha muita gente. Dei a entrada de R$ 150 e parcelei em sete vezes de R$ 178. Ficou o valor total de R$ 1.396. Como algumas parcelas eu paguei atrasado, passou de R$ 1.400”, explicou o aluno.

O rapaz relata que terminou de pagar a autoescola em março deste ano, quando venceu a última parcela. “Na época, disseram que as taxas do Detran [Departamento Estadual de Trânsito], a autoescola iria pagar tudo, mas fui no Poupatempo na sexta-feira (18) e não pagaram”, afirmou.

 

PANDEMIA

O cliente explica que fez o curso e terminou em novembro. Logo em seguida, ele fez a prova teórica e passou. Com isso foi agendar as aulas práticas. “Só comecei a fazer em março desse ano. Demorou quase quatro meses”, lembrou.

Contudo, o aluno conta que a autoescola teria paralisado as atividades devido à pandemia, retomando somente em agosto. Durante este período, a comunicação tornou-se difícil com a empresa. “Eles [proprietários] eram muito difíceis de responder pelo WhatsApp”, queixou-se.

Em meio a esta situação, ele afirma que terá que gastar ainda mais para tirar a CNH. “Terei que fazer 16 aulas de carro, mais as 20 aulas de moto e pagar mais do que na época. A autoescola mais barata parcelou em seis vezes de R$ 290, o que totaliza R$ 1.740, isso descontando as quatro aulas que já fiz – que na verdade era para ter seis aulas no sistema, mas só tem quatro”, declarou o aluno, que já consultou uma advogada e acionou o Procon para o caso.

“Tive conhecimento de alunos que pegaram uma promoção de R$ 1.000 para carro e moto, ou seja, eram valores diferentes, porém, bem abaixo do normal. A maioria pagou à vista. Alguns irão pegar a carta de carro e perder a de moto e vice-versa”, revelou.

SITUAÇÃO DIFÍCIL

Assim que o caso veio à tona nas redes sociais, os clientes da autoescola têm se mobilizado para conseguir resolver a solução. “O pior de tudo é que agora estou desempregada. Paguei ‘ralado’ as parcelas e não sei mais o que vou fazer porque: como vou dar entrada em outra carta estando desempregada? É só dor de cabeça!”, desabafou uma ex-aluna da empresa.

 

CNH: clientes esperam uma solução para retirar documento (Reprodução/Internet)

 

CIDADES DIFERENTES, QUEIXAS IGUAIS

A autoescola também possui uma filial em Itobi, onde também há reclamações de diversas pessoas que alegam terem pago a empresa e não conseguido tirar a CNH. Há até clientes que relataram estar cerca de nove meses sem uma resposta. “Meu marido já pagou mas R$ 1.600 para a autoescola. Faz um ano e até agora nada. Essa autoescola nos enganou, enrolou e manipulou. Isso é estelionato. Só queriam mesmo era pegar o dinheiro do povo. Queremos justiça e o nosso dinheiro de volta”, desabafou uma internauta nas redes sociais.

Além de São João da Boa Vista e Itobi, há relatos que o mesmo problema teria ocorrido em Casa Branca – onde a empresa havia se instalado anteriormente – e alguns clientes até já entraram com uma ação conjunta na Justiça.

O OUTRO LADO

Diante das queixas, a reportagem do jornal O MUNICIPIO entrou em contato com responsável pela autoescola para saber seu posicionamento diante deste caso. Procurando esclarecer a situação, ele afirma que a empresa não fechou e se encontra atualmente em negociação para ser vendida ou futuramente prosseguir com os negócios. “Ela está em negociação para ser vendida porque está impedida de, por enquanto, trabalhar, por causa que tiveram os problemas da pandemia e do Detran, que vai efetuar agora as trocas dos veículos”, alegou. “A situação por enquanto não está permitindo, mas ela ainda não fechou. Ela está só fechada as portas, mas ela não fechou”.

Em relação à queixa sobre as taxas do Detran, o empresário disse que estas são por conta dos clientes. “Nós nunca pagamos taxas dos alunos. As taxas eram tudo por conta deles. A única coisa que eles faziam na autoescola eram as aulas de carro e de moto. Só que em março começou a pandemia e o Detran fechou todas as autoescolas. E ainda tem algum problema com o Detran e está voltando parcialmente seu serviço”, argumentou.

O proprietário destaca que nos próximos dias a situação da autoescola já estará normalizada. “No momento é só aguardar a negociação que está sendo feita e a liberação do funcionamento pelo Detran. É o que nós estamos aguardando. No máximo mais uns 15 dias para se resolver”, garantiu.

Finalizando, ele alega que em nenhum momento houve crime algum. “Não estou deixando de cumprir com minha obrigação, que é o contrato que eles assinaram, de o tempo para entregar a CNH de cada um”, frisou. “Eles [os clientes] estão fazendo um ‘barulho’ aí que pode virar contra eles”, concluiu, alegando que algumas pessoas poderão responder por crimes de calúnia e difamação devido aos comentários nas redes sociais.

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